Rui Dias
Rui Dias Redator e repórter principal

O fabuloso crescimento de Otávio

Quando o Sp. Braga subiu para o aquecimento na final da Taça de Portugal, uma glória portista não queria acreditar: "O Josué está no onze. Nunca mais jogará no FC Porto." O médio não só foi titular como jogou bem; não só jogou bem como ainda marcou um golo. Na tarde em que oficializou candidatura à grande potência, conhecedor da grande casa azul e branca não teve dúvidas. "Não interessa o que vai acontecer, não sei quem será o próximo treinador, mas tem a sentença lida no Dragão", insistiu, convencido de que a ousadia de defrontar a futura equipa acabaria por ser fatal. A história de Otávio é diferente: levou um ano a somar pontos para voltar ao FC Porto. A 6 de fevereiro de 2016, em Tondela, aos 87 minutos, com o resultado em 1-1, contra-ataque conduzido por Hélder Tavares deixou Nathan Júnior na cara de Miguel Silva. Quando o avançado se preparava para golo fácil, um vimaranense em esforço evitou a derrota, após longa correria. Era Otávio. O lance continha um indício: estava pronto para o FC Porto.

Jogadores como ele precisam, principalmente, de quem os oriente; de quem lhes direcione o génio e os faça entender o futebol em toda a sua dimensão, nomeadamente as chaves que o condicionam e orientam como desporto coletivo. Otávio tem o que precisa um fenómeno: a arte que nasceu com ele; o instinto para resolver bem cada momento do jogo; a imaginação para fazê-lo com brilhantismo e criar o assombro; a capacidade para assinar obras-primas à custa do engano e conseguir elevar a mentira ao estado global. Sérgio Conceição foi um treinador fundamental para lhe consolidar o estatuto de maestro de uma orquestra (V. Guimarães 2015/16) que desde logo seguiu as suas sugestões como se fossem ordens – prova de que a estrela maior se comprometeu com os outros, com a equipa, com o clube, no fim de contas com o futebol.

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Otávio desenvolveu o estímulo da perfeição no trato com a bola, orientado pelo recreio, pelo exibicionismo, pela extravagância que deslumbrou o meio onde cresceu. Foi encantando plateias e resolvendo sucessivas situações de apuro à custa de um talento nunca discutido até ao momento em que alguém o acusou de vago, inconsequente, egoísta, desligado… Nessa altura, o primeiro impulso foi o mais comum: a revolta. Não é possível que, suportado em tantas soluções exclusivas que encantam plateias ávidas de magia, para quem o futebol só faz sentido se for expressão de arte e um grande espetáculo, seja posto em causa por quem define as regras da equipa, estabelece a estratégia e impregna de conceitos um todo que, por norma, não aceita tanta leveza. Otávio atingiu o profissionalismo de exigência máxima fazendo percurso desde os jogos de rua como sendo o melhor, o mais amado e temido de todos os meninos. Sinal de que teve de fazer concessões para ser o que é hoje.

Num determinado momento do Euro’2016, Fernando Santos definiu a diferença entre jogar à bola e jogar futebol. O processo que trouxe Otávio dos shows de bola magistrais nos baldios da sua cidade (João Pessoa) até à exigente plateia do Dragão, fazendo Nuno Espírito Santo render-se ao seu talento sumptuoso, foi a gradual evolução como jogador da cabeça aos pés. Hoje, ele é a estrela que faz reverter o dom pessoal e intransmissível de um génio com tiques malabaristas em potencial chefe de orquestra, que joga e faz jogar; que acrescentou a relevância de equipa e companheiros à visão restrita de bola e adversários para se realizar e ser feliz; que pensa o jogo não como palco de recreio individual mas como vasta cadeia de cumplicidades e entendimento global que diviniza o coletivo e o bem comum. De cada vez que o vemos jogar pelo FC Porto, ganha consistência a ideia de que Otávio será uma das principais figuras da Liga. E, se tudo lhe correr bem, tem mesmo argumentos para ser estrela maior do futebol português.

Luisão está ali para as curvas

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Luisão deu a prova de vida que faltava. A grave lesão, as primeiras aparições oscilantes e o sucesso da solução encontrada para a sua ausência (plena afirmação de Lindelöf) pareciam aproximá-lo do fim da linha. Frente ao Sp. Braga, o capitão retomou a história interrompida: líder esmagador, fresco, inteligente, confiante, ágil e disponível. Foi dono da defesa e disse bem alto que está ali para as curvas.

Um craque da cabeça aos pés

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Há muita gente ilustre perdida de amores por ele. Ele vai explicando porquê

Rafa teve nos pés a melhor ocasião para o Sp. Braga fazer o 1-1 e relançar a Supertaça. Falhou! No fim, tudo por junto, entre erros, omissões e preciosidades, ninguém duvida de que estamos perante um jogador impressionante, com instinto apurado, talento ao nível da última invenção tecnológica e habilidade para simplificar qualquer situação. Incluindo as mais complicadas. É um craque da cabeça aos pés.

Slimani é crucial para o Sporting

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No equilíbrio entre finanças e desporto está o sucesso de muitos projetos

Slimani parece ser o jogador mais empenhado em sair do Sporting mas é, também, o mais valioso. Mesmo com aparições esporádicas na pré-época confirmou a veia goleadora aprimorada com o tempo. Jorge Jesus viu partir Montero a meio da época passada; perdeu Teo e, em boa verdade, nunca teve Barcos. Mesmo que o argelino fique, os leões precisam de um avançado (talvez dois) para atacar o título.

Por Rui Dias
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