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Rui Dias
Rui Dias Redator e repórter principal

Os altos e baixos de Campbell

Os tempos transformaram o futebol puro, como escola de virtudes e fonte de afetos, em gigantesca indústria orientada pelo dinheiro, na qual são mais relevantes os potenciais geradores de negócios do que os candidatos a heróis das comunidades. Eduardo Galeano, escritor uruguaio falecido em 2015 e amante do pontapé na bola, verbalizava o desencanto: "O futebol está articulado em função do dinheiro como grande centro de gravidade." César Luis Menotti dava uma achega: "O capitalismo converteu o futebol num negócio e o jogador num mercenário." Peguemos no exemplo de Joel Campbell que, aos 24 anos, já conta com seis experiências europeias diferentes, breves e sem glória, ao serviço de Arsenal, Lorient, Olympiacos, Betis, Villarreal e Sporting. O costa-riquenho nunca teve tempo para consolidar vínculos sentimentais às causas que defende. Faz o que o instinto lhe indica. Às vezes não chega.

Em Alvalade, num exército sem estabilidade, Jorge Jesus consolidou a ideia de aproveitar JC como extremo, sabendo que interpreta à sua maneira a vida junto à linha no flanco esquerdo – não atua nas alas para encantar plateias mas para conectar com o golo. Não é o habilidoso que se enrola com a bola, finta e se embriaga com exercícios fora do contexto da própria equipa, nem se entusiasma com o fascínio das bancadas. Por ser um jogador notável e ter objetivos claros sempre que toma a iniciativa, JC conjuga a mentira adjacente ao seu perfil com a perfeita gestão da velocidade; tira adversários da frente e aproxima-se com condições de êxito à zona e ao momento de tomar decisões, todas elas em forma de passes ou cruzamentos sem mácula a pedirem o último toque – de memória, citemos os golos na Luz e no Restelo ou mesmo o primeiro ao Feirense, em Alvalade.

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Nessa corrida limpa não há tiques exibicionistas ou extravagâncias, muito menos o estímulo ao estilo chaplinesco de quem promove mais o espetáculo do que o jogo. JC é um jogador com soluções técnicas ilimitadas, de quem tudo se pode esperar, que pode funcionar como tremendo relâmpago no campo de batalha: arranca, corre, trava, acelera e muda de direção, em constantes cavalgadas que aumentam o perigo à medida que vai pisando os terrenos da zona de definição.

JC é um avançado de toda a frente de ataque; um jogador com aptidões técnicas para qualquer eventualidade, íntimo da bola, com domínio absoluto de cada instante e visão ampla do que se passa à volta; um artista com soluções individuais deslumbrantes mas cujo talento se expressa de modo ainda mais eloquente em combinações que, na maior parte dos casos, deixam companheiros em situação de golo. Visto de outro ângulo, é um exímio explorador de espaços, com a baliza sempre nos olhos e que, enquadrado por exaltação e gentileza, exerce com frieza e agressividade: mesmo as decisões que devolvem o futebol à pureza da rua, são atos contundentes, sem contemplações com os adversários.

Jogador de altos e baixos, para aprofundar o imenso talento que possui precisa de acrescentar índices de confiança, motivação, continuidade e compromisso à solução tática que JJ encontrou para ele. Aos 24 anos, JC vai na sexta experiência europeia, prova dos imensos problemas em ter uma grande causa para defender para lá do orgulho próprio como jogador profissional. Em Portugal e no Sporting começou por confirmar a teoria que o acompanha desde sempre (tem qualidade a mais para o que rende) mas começa a dar resposta à estatística: 3 golos e 4 assistências em 22 jogos são números só superados no Olympiacos. O processo de integração está em marcha e tem bons argumentos para se consolidar. A menos que se registe alguma contrariedade inesperada, JC ainda vai a tempo de ser uma das grandes estrelas da Liga na segunda metade da temporada. 

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Cervi deu rumo

ao voo da águia

No sofrimento frente ao Boavista, sobressaiu o génio de um argentino

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Cervi é um caso sério no futebol encarnado. Impôs-se depressa no Benfica e agarrou a oportunidade sem deixar margem para dúvidas. Aos 22 anos, não precisou de tempo para se adaptar às novas exigências e ainda aprimorou argumentos defensivos sem abdicar do eterno poder desequilibrador. Com o Boavista, a sua entrada constituiu monumental terramoto no jogo. Sem ele, a águia nem ao empate teria chegado.

Marcano como

grande central

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Há funções em que a eficácia é mais relevante do que o brilhantismo

Marcano veio para o FC Porto sob suspeita, vítima de ter sido uma escolha de Julen Lopetegui. Não teve vida fácil para se impor, denegrido por comparações falaciosas com defesas que, vendo agora, jogavam (jogam) muito menos do que ele. Frente ao Moreirense, marcou um golo e ofereceu outro (a Óliver). Não precisava desse protagonismo instantâneo para confirmar que é um dos melhores centrais da Liga.

Talento sublime

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de Iuri Medeiros

É possível que o Sporting resgate, para 2017/18, uma das suas pérolas

Iuri Medeiros mostrou na Luz o enorme jogador que é. Sobre a direita, com um pé esquerdo abençoado, é capaz de tudo, incluindo liderar a equipa a partir de uma zona periférica do jogo. Nos esquemas táticos é sublime: exerce com remate forte e colocado mas também com solicitações teleguiadas para os companheiros. Tem talento para voos mais altos. Merece ter verdadeira oportunidade num grande.

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Por Rui Dias
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