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Vicente del Bosque, antigo selecionador espanhol, campeão europeu e mundial, fez explodir todas as teorias relativas aos pontapés da marca de grande penalidade. Se há quem veja na pena máxima potencial de trabalho para diminuir a incerteza e aumentar a fiabilidade de quem executa a sentença, VdB ignorou qualquer tendência científica. Confrontado com o facto de ter sido Sergio Ramos a rematar o penálti frente à Croácia, não esteve com meias-tintas: "Deixo que sejam os jogadores a decidir quem os cobra. (…) O penálti não é uma ação que possa ser treinada." Armando Nogueira, escritor e jornalista brasileiro, definiu o momento de outra forma: "O penálti é uma sentença de morte em que o carrasco pode ser a vítima." O treino serve para aumentar a precisão do gesto e dar confiança ao atirador mas não permite teatralizar todas as tensões do jogo.
No duelo, o guarda-redes só tem a ganhar, razão pela qual beneficia de jogar para o protagonismo, enquanto o atirador só procura evitar a tragédia. Mas as coisas já não são como Del Bosque pensa. O laboratório futebolístico permite analisar a marcação do penálti a partir de dados concretos. A televisão, por exemplo, ajuda o guarda-redes a antecipar rotinas, virtudes e defeitos dos atiradores. Rui Patrício deixou-o subentendido no final do jogo com a Polónia: toda a atenção no olhar, no local do arranque para a bola, na velocidade, na inclinação do corpo, na corrida ou na posição do pé de apoio. Antes, dizia-se que o guarda-redes adivinhava o lado em 60% das ocasiões. É provável que o número tenha até aumentado. E não só por acertar na lotaria em que, pelos vistos, VdB acredita. Frente à Polónia, RP garantiu estatuto de herói. Como tudo conta nestas coisas, as regras estão lançadas para um futuro desempate. Vantagem de cá.