A arte de um lobo genial
César Luis Menotti utiliza as palavras e as ideias para nos obrigar a refletir. Um dia abalou os alicerces do senso comum e disse que Makélélé jogava melhor futebol do que Ronaldo Fenómeno. O mestre argentino pretendeu diferenciar o papel dos génios, cujo talento se expressa pela eficácia de ações individuais brilhantes, dos outros que, mais opacos nos argumentos artísticos e menos decisivos nas ações desequilibradoras instantâneas, entendem o jogo nas suas chaves coletivas e melhoram-no a partir do papel mais congregador que lhes cabe. Uns alimentam o espetáculo com a magia de soluções personalizadas e exclusivas, os outros utilizam o vasto tabuleiro verde como palco de vasta cadeia de acontecimentos previsíveis, cuja gestão pode e deve ser feita antecipadamente. O que Menotti não conseguiu nem conseguirá alterar são as regras do mercado – para ele deve ser incompreensível que Pedro Neto (27 milhões) valha quase o dobro de Palhinha (14 M), por exemplo.
