De pé para pé

Rui Dias
Rui Dias Redator e repórter principal

A estrela de uma grande equipa

Quase em segredo, longe dos holofotes, o Sp. Braga está a fazer hoje a história de amanhã – a 3 jornadas do fim tem mais pontos e golos do que nunca, permanece na luta pela Champions e consolidou um elã competitivo e social ao nível das maiores potências. Mas o temível exército bracarense está para lá dos números, como equipa em que nada acontece por acaso e na qual até os momentos individuais mais instintivos e repentistas são abrangidos pela previsibilidade do guião. A ação coletiva está tão consolidada e é tão perfeita que não existe repressão à liberdade para criar; e a ordem é apenas o início de uma vasta cadeia de acontecimentos que, por norma, conduzem à felicidade de cada um. Abel Ferreira inculcou um plano que o tempo consolidou, orientado por elementos como organização, disciplina, responsabilidade e compromisso mas também por outros mais livres como talento, imaginação, aventura e entusiasmo. Assim se constrói uma grande equipa.

Quanto melhor interpretar as orientações mais rígidas, maior será a margem para dar rédea solta à intuição e à livre expressão dos jogadores mais desequilibradores – e esse é o segredo para que todos se sintam felizes e não entendam o plano como tormenta inibidora da expressão criativa. Neste impressionante exército, Ricardo Horta é uma bandeira de juventude, classe e influência. Aos 23 anos é uma arma temível porque interpreta e domina todas as fases do jogo, correspondendo ao perfil de uma das mais completas formações da Liga: temível em ataque organizado e nas transições ofensivas; intenso e cada vez mais assertivo na defesa posicional e nas transições defensivas. Nesse jogo feito de constantes permutas posicionais está a convicção inabalável de um jogador que nunca se inferioriza perante as mais variadas circunstâncias do jogo.

O poder de agitador expressa-o com a bola nos pés, quando vai direto ao assunto e entra sem bater à porta. Uma das suas principais características é a facilidade com que multiplica a produção dos outros: potencia as subidas de Jefferson; reforça o miolo e dá mais soluções a André Horta e Vukcevic; apoia Wilson Eduardo e Paulinho pela via de posicionamentos irrepreensíveis, decisões rápidas, gestos precisos e um talento goleador em finalizações a um toque, remates de meia distância ou passes de morte para a glória de outros – deu os 2 golos com o Marítimo. A arte de, a partir da esquerda, fazer de terceiro homem no meio ou de apoio à dupla de avançados torna-o peça de grande relevância tática. Tudo o que faz leva incorporada a inteligência. Mesmo quando toma opções nas quais parece correr riscos desnecessários para benefícios aparentemente escassos, nada há a temer: os indícios de transgressão nunca se confirmam. Trata-se apenas do processo, controlado e legal, de quem parte sempre em busca do espaço.

RH é um talento superior que, na presente temporada, delimitou espaço no futebol português. É uma estrela assente em pressupostos raros: extremo para quem as diagonais de apoio à zona central se sobrepõem à verticalidade das incursões para a linha de fundo; médio com frieza e contundência de atacante em tudo o que concebe e executa; atacante com visão, técnica e requintes de centrocampista, que o tornam imprevisível e por vezes mentiroso na zona onde é suposto falar verdade. RH é uma estrela com a bola nos pés, que cria soluções de catálogo na aproximação à baliza, quer em exercícios individuais deslumbrantes como no bordado feito de sucessivas combinações que antecedem o toque final. A intensidade dos movimentos, a clareza das intenções e a agressividade da chegada fazem dele um perigo constante. Os 11 golos e as 7 assistências, em 27 jogos para a Liga, consolidam-lhe o estatuto de um dos melhores jogadores do campeonato.


O alívio de Rafa frente ao Estoril

A ineficácia na relação com a baliza é o calcanhar de Aquiles do avançado

Rafa era a personificação do alívio no fim do jogo no Estoril. Tinha razões para isso: desperdiçou três oportunidades (uma delas escandalosa) que deviam ter antecipado o 2º golo (o 3º e o 4º…) e diminuir o sofrimento. Estranho foi vê-lo assinar o 1-0 com tanta competência e segurança. Parecia um especialista. Como diria velho camarada de tempos que já lá vão, em situações semelhantes, "errar é humano".


A regularidade de Pedro Tiba

Há futebolistas que se caracterizam pela arte de não saberem jogar mal

Pedro Tiba está a fazer grande época como referência de uma das melhores equipas da Liga – o Chaves de Luís Castro. O médio flaviense tem revelado impressionante regularidade mas, para ser inteiramente reconhecido, faltava-lhe um momento de glória que ampliasse a relevância. Encontrou-o com o Portimonense: 2 golos em 6 minutos, numa vitória por 2-1. Com ou sem golos, joga muito. Essa é a verdade.


O impressionante recital napolitano

A vitória sobre a velha senhora relançou a discussão sobre o título italiano

Quando o Nápoles sobe ao norte, a discussão é muito mais do que futebolística. A partida para Turim foi de grande exaltação, como emocionante foi a presença dos adeptos no terreno da Juventus, principalmente depois do golo de Koulibaly. Mas o mais impressionante foi o recital da equipa de Maurizio Sarri em hora e meia absolutamente esmagadora. Poucas equipas no Mundo jogam com tanta qualidade.




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