A notável evolução de Otávio
A repressão da tática, do cálculo e da geometria danifica o instinto do jogador e dá horizontes mais estritos à imaginação. Nessa altura, é fundamental o entendimento de que a ordem não é um fim em si mesma, antes constitui o ponto de partida para a aventura de criar e o motor de paixão e prazer pelo jogo. Otávio moderou o eterno perfil de bom malandro, cuja habilidade lhe concedia o privilégio de uma intervenção feita de fintas, truques e outras contribuições avulsas que deliciavam as bancadas e, uma vez sem exemplo, desequilibravam os pratos da balança. Executava, é preciso reconhecê-lo, o que muitos não são capazes sequer de imaginar, mas isso não alterava a verdade: era uma peça solta na engrenagem, com a dificuldade acrescida de pisar terrenos onde tudo se decide e desempenhar funções de coordenação do coletivo. Nunca é boa ideia ter um espírito tão livre e independente no comando de tarefa tão complexa e responsável.
