A pontaria e o bordado da criação
O adepto não estabelece com os jogadores relações fiáveis – oferece apoio e afeto a quem lhe dá alegrias; retribui com críticas e assobios a quem lhe provoca tristezas e desconforto. Não é sensível a argumentos que não entende mas regista nomes próprios associados a golo, assistência, desarme, glória e fracasso, da mesma forma que não generaliza erro, desperdício, falta de qualidade e incompetência – aponta-os a dedo, especifica-os, lançando o que pode ser um inferno para a vítima. Ser alvo da fúria num jogo pode ser mau, mas se tal acontecer durante semanas ou meses a fio é uma tragédia. Foi a esse extremo de dificuldade que chegou Paulinho. É essa sensação de injustiça que tem de reverter, jogando como sempre, mas com mais pontaria.
