As viagens entre o céu e o inferno
Sobre ele não há meio-termo na apreciação: é herói ou réu; sofisticado ou primário; esperança ou desilusão; génio ou banal; tudo ou nada. Vive em montanha russa de conceitos antagónicos e sempre exagerados, que o aproxima e afasta das extremidades da escala com demasiada facilidade: quando chega ao topo deslumbra com o exagero de um talento sublime e inspirador, quando bate no fundo dececiona ainda mais, justamente por ter passado por onde só andam os deuses. Aos 32 anos, sabemos hoje que, sem essas viagens violentas – as que se fazem para baixo têm sempre efeitos mais nefastos –, ter-se-ia mantido com regularidade num patamar de exceção, isto é, seria um dos melhores jogadores mundiais do seu tempo.
