Craque só depois dos 30 anos
Em 1997, no âmbito de uma reportagem sobre o título nacional do Belenenses, António Feliciano (1922-2010), um dos melhores centrais do futebol português, foi protagonista de várias lições – ou não tivesse sido peça fundamental na formação do FC Porto, responsável pela lapidação de algumas das joias mais valiosas que o clube azul e branco deu ao Mundo. Vivendo já com parênteses brancos cada vez mais frequentes e longos de alheamento do Mundo, Feliciano foi pródigo em confissões. Explicou então ter sido por volta dos 30 anos que sentiu estar a perder qualidades: "Ficaram célebres os meus duelos com Peyroteo. Eram lutas tremendas, intensas, com choques constantes. Um dia apareceu o José Águas (veio de Angola em 1950). Numa das primeiras vezes que nos defrontámos, a bola veio pelo ar, eu fiz-me ao lance, cheio de confiança, e aconteceu o inesperado: saltei, caí e ele ficou no ar. Fez o que quis e eu fiquei a ver."
