Em busca de um lugar no trono
O futebol português cresceu a glorificar heróis de sucessivas intervenções sobrenaturais, para assim garantirem a integridade de resultados não correspondentes aos fundamentos da ação; eram monstros sagrados de civilizações imperfeitas, que a memória coletiva registou como figuras eternas. Os mais velhos recordam, os mais jovens já ouviram falar, de exibições estratosféricas de Vítor Damas em Wembley (20/11/1974) e Manuel Bento em Glasgow (14/10/1980), divinizadas como proezas de extraterrestres, traduzidas no mesmo resultado (0-0) e em massacres aos quais a equipa escapou ilesa graças ao talento dos seus guarda-redes.
