Rui Dias

Rui Dias Redator e repórter principal

Fejsa é um mestre universal

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Um dia, César Menotti chocou o Mundo ao dizer que Ronaldo Fenómeno não sabia jogar futebol; que era eficaz e brilhante em ações avulsas mas que não fazia a menor ideia do que era o jogo. E dava como exemplo contrário o francês Makélélé, que não tinha soluções individuais tão ricas, mas conhecia as chaves coletivas do jogo, pensava-o cinco toques à frente e nunca dava por terminada a responsabilidade nos lances – mesmo depois de entregar a bola continuava em permanente estado de alerta.

Quando vir Fejsa cometer uma infração grosseira, em primeira análise desajustada e excessiva, não perca tempo, amigo leitor: não havia alternativa. O poder de análise do sérvio, a sua visão e a capacidade para tirar conclusões automáticas nunca o deixam ficar mal. Se a intuição é a velocidade de ponta da inteligência, é dos futebolistas mais inteligentes da atualidade. Pode falhar um passe ou dominar mal uma bola, mas comete um erro estrutural grave de seis em seis meses. Há os génios, que vendem o espetáculo, e há outros que, menos bafejados pela natureza, entendem o jogo como longa cadeia de acontecimentos previsíveis, cuja gestão deve ser feita para evitar surpresas. Os primeiros estão em campo como se vivessem no Scala de Milão, os outros veem-se em plena batalha, focados na estratégia para darem a vitória ao exército que representam. Ambos são fundamentais.

Fejsa é muito mais do que um simples bombeiro apagando todos os focos de incêndio através de uma atitude generosa; é o arquiteto do bairro, que tem na cabeça o desenho do quarteirão e conhece todos os segredos de cada apartamento. Sem ser um artista, notabiliza-se como como denominador comum do talento de quem se movimenta à sua volta. Sinal de que o mesmo trabalho tem muitas formas de ser executado, Samaris foi tremendo na época 2014/15, orientado por Jorge Jesus, expressando um modo mais livre, aventureiro e influente do ponto de vista da construção. Mas o Benfica de Rui Vitória, as suas circunstâncias e particularidades, aconselharam o recurso a um médio-centro mais posicional e consciente.

O sérvio eleva à perfeição o modo como lidera a organização coletiva; como, em centésimos de segundo, toma a decisão correta para o equilíbrio da equipa; como permite, em hora e meia, que outros não reprimam a liberdade individual; como oferece condições para serem felizes aqueles que, por norma, têm talento a mais para o papel que os treinadores lhes concedem. No Benfica 2015/16, foi o amparo essencial para a integração de Renato Sanches: fabuloso a enquadrá-lo face às novas exigências; a permitir que exercesse com as melhores qualidades, tornando quase irrelevantes as deficiência próprias da idade. Feito o balanço, ele foi o mestre que geriu o impacto de um cavalo selvagem naquele exército com regras definidas e o tornou elemento diferenciador na produção global. Sem Fejsa, Renato teria tido mais dificuldades em impor-se – e o Benfica em beneficiar da fúria competitiva do menino que o empurrou para o título.

Fejsa não é o melhor jogador do Mundo mas, no futebol português, poucos têm dimensão universal naquilo que fazem; poucos chegam tão perto do modelo ideal de interpretação e execução da tarefa que desempenham; raríssimos têm tantas condições para assumir relevância em qualquer das grandes potências europeias – Rui Patrício é outro que andará perto disso. Aos 28 anos, navega em maturidade esplêndida, o que lhe tem permitido acrescentar cada vez mais argumentos táticos numa função exigente na perícia de movimentos, gestos e tomadas de decisão. A Fejsa faltou apenas saúde para expressar e consolidar o futebol superior que exibe. Só mesmo as debilidades do físico explicam que ainda esteja no Benfica e, vejam só, nem sempre seja titular da seleção da Sérvia.

Brahimi precisa de confiança

Quaresma crê que o êxito de um jogador passa também pelo treinador

Brahimi é um dos melhores da Liga. Talento genuíno, que se expressa pelo engano e pela imprevisibilidade, acredita tanto no seu talento que se deprime quando alguém o subestima. Sendo um soldado de elite está mais preparado para a paz do que para a guerra; rende mais na harmonia do que na crise. Do míster precisa de receber confiança. Sobre essa matéria Quaresma pode escrever uma enciclopédia.

A propósito da resposta de CR7

Cristiano respondeu com humor e contundência ao insulto do espanhol Koke

Há cerca de 70 anos, num Portugal-Espanha, Álvaro Cardoso, inesquecível capitão dos Violinos, virou-se para o célebre Gainza e disse-lhe depois de um lance perdido para o adversário direto: "Tens cá uma sorte…" O basco retorquiu com indiferença agressiva ("Eu não falo com cabrões"), ao que o lateral-direito da Seleção Nacional respondeu tranquilamente "mas eu falo". Prova de que a malícia não tem tempo.

Um defensor feito espectador

Há jogadores cujas decisões são difíceis de entender. Mesmo aos 19 anos

Rashford (Man. United) acompanhou Chamberlain (Arsenal) e travou-o; parou e agiu não como se fosse defensor momentâneo (ok, ele é avançado de origem) mas um espectador: olhou para o adversário e deu logo a entender que não pensava mexer-se; o extremo acelerou, torneou-o e foi-se embora como se pela frente estivesse um fantasma; cruzou, deu o golo a Giroud e lá foram 2 pontos à vida para Mourinho.

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