Rui Dias

Rui Dias Redator e repórter principal

Fonseca sublevou-se ao destino

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Quando chegou ao imenso palco do Dragão, Paulo Fonseca levava o suporte de uma carreira sem passos em falso. Levava também a convicção inabalável, por ter sido terceiro na Liga e dado ao Paços de Ferreira a possibilidade de jogar a Champions, de que, na Hollywood do futebol, estaria em condições de conceber e realizar um filme para os Oscares. Não demorou a entender que, afinal, não dispunha de todas as condições para ser aclamado como desejava. Durante meses, enquanto solicitava que o libertassem do inferno onde fora parar, tentou camuflar a realidade: a casa estava em obras, os atores não correspondiam mas a plateia, indiferente ao tempo de vacas magras, reclamava a ópera de sempre.

Noutros tempos a sentença era linear e tinha argumentos lógicos: uma coisa é triunfar no P. Ferreira, superando as melhores expectativas, outra é ser grande no FC Porto, onde é proibido tropeçar, quanto mais cair; uma coisa é liderar um pequeno clube da província com ambições modestas, outra é assumir o comando da maior potência do futebol português das últimas três décadas. PF fez o que lhe competia, fascinado pela grandeza do palácio azul e branco: acreditou nas suas capacidades como líder e treinador e aceitou ir à luta com o pior FC Porto, sejamos educados, dos últimos dez anos – um exército ao qual, mais do que um general, faltavam soldados de elite. Sendo um treinador que comunica bem, na forma e no conteúdo, foi devorado pela pressão mediática da grande potência quando os resultados se desviaram do trilho habitual. Não resistiu às derrotas e ao futebol de qualidade inferior; não soube lidar com a desilusão de uma família que se habituou a vencer e não encontrou no reportório dotes de mágico para inverter o rumo de uma equipa sem asas para voar.

PF teve a suprema inteligência de reformular a carreira, escolhendo dar um passo atrás para prosseguir com dois, três ou quatro à frente. Este Sp. Braga é uma equipa atrevida, que valoriza a bola e estimula o jogo ofensivo; que tem coragem para apostar na diferença e alegria a executá-la; que vive com os pés bem assentes no chão mas levita empurrada pelo sonho coletivo de atingir a glória à custa de um futebol disciplinado, aventureiro e gerador de felicidade. A versão 2015/16 dos Guerreiros do Minho sintetiza sentido comum e fantasia; define-se pela ternura da ousadia, pelo sorriso que antecipa um estado de alma e a convicção de quem se fez à estrada com uma bandeira de esperança nas mãos. PF introduziu uma ideia e criou uma organização com a qual os jogadores se sentem confortáveis; entusiasmou-os com o sucesso iminente e obteve como resposta a exaltação das suas capacidades individuais. Falta-lhe apenas regularidade para ser uma grande equipa.

Sabemos hoje que PF precisou de inverter a marcha para recuperar autoestima e confiança; teve de regressar à casa onde sempre foi querido e respeitado (na Mata Real) para resgatar uma luz de carinho e sucesso dos escombros do desastre azul e branco. Este Sp. Braga representa o elixir de ressurreição de um jovem treinador que resistiu com orgulho intacto a mágoas silenciosas, dúvidas inconfessáveis e acusações sem prova formada. PF é o caso raro de quem trabalhou para merecer o paraíso (Paços de Ferreira na Champions é um dos maiores feitos do futebol português) e teve o prémio de viver entre os deuses; foi expulso e dispôs-se a criar condições para voltar ao patamar mais alto. Não foi a Divina Providência a conceder-lhe a segunda oportunidade. Foi ele quem se sublevou ao destino e, à custa de talento, competência, ideias fixas e vistas largas, decidiu reescrever a história: um dia regressará ao topo do Mundo para ajustar todas as contas. Tinha muita graça que o conseguisse ao serviço do Sp. Braga. Tinha sim senhor.

Faltou bom senso a Julen Lopetegui

A hora feliz no Dragão ficou incompleta por insensibilidade do treinador

Julen Lopetegui agiu como senhor todo-poderoso numa situação que requeria apenas bom senso – pensou nele e no presente quando o povo lhe pediu que atendesse ao passado e pusesse os olhos postos no futuro. Numa demonstração que resvalou para a provocação, preferiu dar 4 minutos insignificantes a Bueno a fazer história lançando André Silva. E foi assobiado na noite em que chegou à liderança da Liga.

Carcela justifica aposta mais forte

Sem ele em campo dificilmente o Benfica teria vencido o Rio Ave

Carcela tem aproveitado todas as oportunidades concedidas por Rui Vitória. O extremo é suplente em mais de 90 % dos jogos mas acrescenta sempre algo de cada vez que sai do banco. Frente ao Rio Ave trouxe a solução para a vitória: versatilizou soluções, introduziu talento e desfez a comodidade com que os vila-condenses estavam em campo. Começa a justificar aposta mais duradoura e consistente.

Essa história da bola na mão

A jornada foi marcada por alegados lances de mão na bola perdoados

Essas falhas, em vez de preocuparem, são um sinal de esperança. É preferível que o erro seja por má avaliação do que por omissão de responsabilidade; é melhor que os juízes façam cumprir a lei e resistam à demagogia que está a fazer escola. Se Bruno Paixão e Manuel Oliveira viram os contactos, interpretaram-nos e deixaram jogar por entenderem que não foram deliberados, fizeram o que deviam.

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