Rui Dias
Rui Dias Redator e repórter principal

Mbappé Fenómeno

E de repente Mbappé passa-nos diante dos olhos a 100 km/hora, marca 2 golos à Argentina de Messi e diz-nos o que já devíamos saber: está a lançar a candidatura ao trono dos deuses do futebol. Nos seus olhos, no físico e na aparência tímida, mostra-se o ar assustado para quem o Mundial é espetáculo a mais para os seus interesses juvenis. É verdade que há dois anos está no centro de um enorme vulcão mediático, já fez movimentar milhões mas falta-lhe conquistar total credibilidade como jogador de topo.

Mbappé tornou-se uma estrela do Mundial’2018 e a tendência, a partir de agora, é acentuar esses parâmetros. Não há volta para trás: gere com saber a velocidade supersónica que o caracteriza; revela articulação motora superior com a bola nos pés; tem serenidade absoluta quando chega (coisa de atleta) e resolve depois (coisa de futebolista). Só os predestinados atingem esse nível. Quando recebe a bola é um homem apenas, quando vai direito ao assunto é o TGV. O seu futebol só ganha toda a dimensão quando se vira de frente para a baliza; ninguém o pára, leva tudo à frente pelo caminho e, nesse processo, o destino é sempre a baliza.

A obstinação é tão grande que a presença de um companheiro no seu raio de ação parece interferir com a tranquilidade, com o estado de espírito, com o temperamento, em suma, com a eficácia do seu jogo – talvez atinja mais ainda sem Neymar no PSG e com menos Griezman, Girou e até Dembélé na selecção francesa. Mbappé, que há meia dúzia de anos tinha as paredes do quarto cobertas de pósteres de Cristiano Ronaldo, é um constante criador de assombro. Esteja onde estiver, nem que seja a 50 metros do golo, os alarmes disparam em todo o estádio. O espaço, quando é amplo, é propício a ser explorado; mas quando é exíguo convém não descansar – é rápido em engarrafamentos e livra-se de adversários até nos elevadores.

Com base nas características de Ronaldo Fenómeno, Mbappé candidata-se à história do futebol, precisando agora de confiança, carinho, motivação, talvez até amor, para acelerar a consolidação do seu futebol assombroso. Aos 19 anos, tem ainda de consolidar os valores adultos da maturidade e estimular a inteligência para melhor interpretar as incidências táticas do jogo. Enquanto isso não acontece, é a intuição, a potência, o talento, o repentismo e o instinto elevados à máxima expressão. É um extraterrestre, que se dá ao luxo de recusar o egoísmo e que, em condições normais, em dois ou três anos, será o melhor jogador do Mundo.

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