O adeus a um génio do futebol
Havia nele o ar provocador de quem estava à frente dos factos; o olhar desconfiado e vazio, mas ao mesmo tempo penetrante e atento, suscitava dúvidas quanto às verdadeiras intenções com que se passeava nas zonas militarizadas do campo onde tudo se decide. O modo como agia, cuspindo para o chão no fim de cada gesto ou movimento intrigava o espetador: Jonas tinha a aparência de um malandro que se dedicava a pequenos crimes mas revelava soluções majestosas, personalizadas e genuínas que faziam explodir estádios inteiros; alimentava a picardia e até a provocação mas, no fim, levantava plateias e assinava obras que o colocavam ao nível de Camões, Mozart ou Picasso.
