O caminho de Corona para lateral
Tal como o bom falador gosta de se ouvir, o habilidoso só é feliz com a bola nos pés, a recriar-se com fintas e a promover exercícios deslumbrantes, muitas vezes fora do contexto do jogo e contrários aos interesses da equipa. O desejo de se mostrar é tão forte e o prazer pelo efeito que provoca nas bancadas é tão grande, que facilmente desvaloriza algumas das obrigações que tem com os companheiros. Jesus Corona nasceu, cresceu e tornou-se candidato a herói solitário assente num talento sublime, origem de tiques exibicionistas que embriagam o público mas também desesperam os treinadores que, a páginas tantas, o acusam de indisciplina tática e individualismo nocivo, logo agora que o futebol está, talvez mais do que nunca, a depurar a sua expressão coletiva.
