O dérbi da prova rainha
Os gostos no futebol são contagiosos. Podem alastrar a mediocridade, quando se joga só por algo (a vitória), ou apelar à grandeza, quando se descobre que, afinal, se pode e deve fazê-lo por alguém (os adeptos). É evidente que jogar bem não exclui o objetivo de ganhar, antes o persegue de modo mais pleno e nobre, mesmo havendo inteligentes e burocratas que, assentes nas virtudes do pragmatismo, sentem legitimidade para a sacramental pergunta, elaborada como quem descobriu a pólvora e não admite contraditório: é mais importante jogar bem ou ganhar? A questão só faria sentido se alguém tivesse dito que joga para perder. Mas como todos andam no desporto para ter sucesso, só os pobres de espírito o procuram sem aspirar à beleza. Os derbies são duelos especiais mas o Sporting de Marcel Keizer e o Benfica de Bruno Lage orientam-se pela expressão de um apurado sentido estético. O espetáculo está garantido.
