O despertar do maestro adormecido
Num dos seus livros, Jorge Valdano conta a história de um jogador da sua terra, Sulú Cirioni, que tinha o estranho hábito de, ao intervalo, se alhear da azáfama do balneário. Afastava-se do ruído e punha desodorizante, prova de que não tinha corrido na primeira parte e, principalmente, que não pensava fazê-lo na segunda. Ninguém o recriminava: era o melhor. Mais recente é o lamento de Román Riquelme, o jogador que fechou a dinastia dos grandes 10 da história do futebol, entendidos num determinado contexto. Génio de armas subtis, visão escandalosa e estilo pausado, deu uma entrevista à FOX Sports no mês passado lamentando o estado a que chegou o futebol. Fez uma pergunta ("para que serve comer cereais o dia todo ou fazer mil abdominais por dia?") e tirou conclusão amarga ("se jogaste bem e tomaste as decisões corretas não interessa o que correste"). Concluiu com uma provocação: "Erro todos os passes, só atrapalho, mas corri 34 quilómetros. Fui o melhor?"
