O Evereste de Silas no Sporting
A situação é delicada e a missão tem elevado coeficiente de dificuldade. Recuperar uma equipa que perdeu hábitos de vitória, desacreditada, alvo de convulsões de toda a espécie, a viver num cenário de ebulição coletiva preocupante, não é para todos. Silas apresentou-se em Alvalade com um projeto difícil de concretizar, porque a ele está subjacente uma ampla corrente que não pode ter resistências e na qual todos têm de acreditar. Silas, que jogou até há dois anos, tem ainda bem presente os princípios que sustentam a relação entre quem define o caminho e o percorre: o jogador solicita ao treinador sentido de orientação e o míster que tiver respostas convincentes para todas as dúvidas conquistará a autoridade e o respeito pela via mais nobre e reconhecida, que é a do saber e do bom senso. Ganhar é a via mais direta para o bem-estar mas, numa equipa de homens discutidos e traumatizados, o risco está sempre presente – é como exigir que deem um concerto sem partitura ou que façam trapézio sem rede.
