O fogo do ginete endiabrado
Ricardo Bochini (1954), expoente máximo do futebol que nos vai escapando entre os dedos das mãos, tinha tanto de génio como de intransigente defensor de conceitos fora de moda. Campeão mundial em 1986, Bocha só participou nos últimos instantes da meia-final com a Bélgica (2-0); quando pisou o relvado, à sua espera estava Maradona, de quem era o ídolo de sempre. Diego recebeu-o com palavras adequadas: "Bem-vindo maestro." Para ele o futebol era sagrado e não dependia da eficácia. Uma tarde, em jogo na seleção argentina, zangou-se a sério, depois de 45 minutos a oferecer pérolas que os goleadores de serviço desperdiçaram escandalosamente. "Por este andar vou ter, eu próprio, de marcar os golos", disse com ar de poucos amigos. Outra vez pediram-lhe a opinião sobre Johan Cruyff. A resposta foi elucidativa: "Corre muito mas joga bem."
