O homem que dá rosto ao dragão
José Antonio Camacho costuma afirmar que o futebol começa no médio-centro. A afirmação do treinador espanhol, que pode até ser discutível, serve para definir algumas equipas e jogadores. Exemplo: o estilo do FC Porto 2016/17 começa em Danilo Pereira. Pode mesmo dizer-se que a esmagadora maioria dos pontos de equilíbrio e exaltação da equipa azul e branca passa pela contribuição do número 22, indicador seguro da sua relevância no coletivo: é o mais influente, quem interfere em mais etapas do seu funcionamento e contacta com mais elementos. Sobre ele podemos estabelecer um ponto de situação relativamente ao modo como está a crescer: faz tudo bem e cada vez o faz melhor.
Danilo é o fiel depositário de um guião que decorou da primeira à última página; é o centro da complexa estrutura que põe a máquina a funcionar e, ao mesmo tempo, o cérebro que dá inteligência a cada passo; é o general que comanda a ação defensiva, sintonizando movimentos com a guarda que tapa os caminhos ao adversário, e também a rede do trapézio daqueles que inventam à sua frente. A abrangência funcional é tão ampla e interpretada com tanta precisão que é determinante pelo modo como define as regras, zela pela segurança, organiza os primeiros passos do processo de conquista e que, entre ter e não ter a bola, vai abrindo e fechando portas por todo o campo de batalha como se fosse o dono do jogo.
É difícil perceber como pôde um jovem jogador perdido algures na Europa, depois de ter sido vice-campeão do Mundo de sub-20, atingir grau de credibilidade tão elevado para assumir o papel de líder de uma potência do futebol nacional e uma das melhores equipas da Europa. Danilo recorreu a todo o arsenal de soluções do reportório e agregou-lhe a força da liderança sem a qual não poderia exercer a tarefa em pleno. Para conquistar o estatuto que lhe permite guiar o exército do dragão teve antes de obedecer e aprender; assimilar os processos do treinador e integrar-se no coletivo. Oriundo do Marítimo, venceu o preconceito (há sempre quem recorde que uma coisa é ser bom em clubes médios, outra é sê-lo num grande), aceitou testar-se a cada instante, superou cada obstáculo e tomou conta do lugar.
Começa por oferecer matéria concreta, com a qual cumpre o senso comum: tem sempre encontro marcado com esforço e dedicação, prova do compromisso inabalável com a bandeira. Jogador com potência de salto e bom jogo de cabeça, que exerce nas duas áreas, adivinha intenções e antecipa movimentos; normalmente chega primeiro mas quando se atrasa tem velocidade de reação e físico para recuperar e sair vencedor dos duelos. A seu favor joga a eficácia em espaços curtos, embora não se perca em mar aberto; atrás orienta a defesa menos batida da Liga, à frente é o líbero dos artistas, não sendo de excluir que assine obras-primas como a do segundo golo de Soares com o Sporting: passe magistral que colocou a bola no único espaço possível (com velocidade e efeito corretos) para que o avançado vencesse a oposição de três defesas e o guarda-redes. Um grande momento de futebol.
Foi extraordinária a forma como Danilo evoluiu até exercer essa autoridade esmagadora como se fosse a coisa mais natural do Mundo; impor a voz em qualquer circunstância e construir uma liderança indiscutível; ser persuasivo para os companheiros e temível para os adversários; transformar cada conselho numa ordem e dar a cada sugestão a força de um rumo aceite por unanimidade. À entrada para a reta final da Liga e feitas as contas a toda a época, é o denominador comum do FC Porto e a imagem do melhor que a equipa tem oferecido; é o jogador mais notável e regular do campeonato na sua função e, aos 25 anos, um dos mais valiosos do futebol português.
Génio de Jonas é pérola única
O 2.º golo do Benfica com o Nacional foi a obra-prima de um mago da bola
Jonas é uma preciosidade; um elemento de distinção, uma pérola única, fora do contexto da Liga. Em Portugal há vários grandes futebolistas, muitos deles valendo os milhões que têm salvado os cofres dos clubes. Depois há Jonas, o melhor de todos, o que assombra pela grandeza de cada intervenção e nos faz acreditar que talento e inteligência não têm idade. Nem limites. Apesar dos 32 anos.
Alan Ruiz com coisas de craque
Tempo, confiança e paciência são fatores decisivos na afirmação de um jogador
Alan Ruiz engrossou o lote de leões desacreditados. Vendo hoje as imagens de como chegou a Lisboa é incrível como um profissional de futebol pode iniciar etapa desportiva com 10 kg a mais. A época perdeu-se e muitos candidatos a reforços já foram devolvidos. Alan, porém, ganhou direito a nova oportunidade no Sporting. Está a mostrar que é um enorme jogador, com armas ao nível das grandes estrelas.
Welthon para voos mais altos
O futebol português está cheio de grandes jogadores espalhados por todo o lado
Welthon é a maior revelação da Liga: um avançado de toda a frente de ataque, senhor de uma técnica sublime, com excelente relação com a bola, com o jogo e principalmente com o golo – já são 14 pelo P. Ferreira em todas as competições. Marca em ataque posicional e contra-ataque; de bola corrida e parada; a grandes e pequenos. Com o máximo respeito pelos pacenses, é jogador para voos muito mais altos.
