O império emocional de Eriksson
Alavancou um novo futebol em Portugal: modernizou-o, renovou os seus alicerces, potenciou jogadores e aproximou o Benfica do ideal estético e filosófico de que os adeptos são os principais defensores; a ideia era ambiciosa e a equipa apresentou produção identificadora com o meio. O homem que entrou em campo com o Marselha, debilitado mas feliz, enquadrado pelos jogadores que deram forma à arrojada proposta que trouxe de Gotemburgo em 1982, não era apenas a imagem dos títulos que conquistou: Sven-Goran Eriksson foi o ideólogo de um novo ciclo, que desbloqueou trauma persistente (descobriu os 30 metros que faltavam); introduziu os parâmetros funcionais de uma grande equipa (pressão, intensidade, confiança, convicção); pôs fim a receios infundados (equipa sempre corajosa e ofensiva), e foi rosto de esperança e sucesso pela construção de uma entidade respeitadora da história benfiquista, cuja influência se alargou a todo o futebol português. Construiu um império emocional indestrutível.
