O talento que multiplica o coletivo
César Luis Menotti, mestre argentino hoje com 84 anos, disse um dia, com o exagero próprio de quem adorava a provocação, que a diferença entre Makélélé e Ronaldo Fenómeno era que um sabia jogar futebol e o outro não fazia a mais pequena ideia do que isso era – para situar a declaração, foi feita quando o brasileiro estava no auge. El Flaco, que está para as ideias como Maradona esteve para a bola, considerava que o francês se impunha por presença arrasadora e porque entendia o jogo na sua complexidade tática, na assunção de que o objetivo era que onze jogadores atuem em prol de um conceito; o outro era eficaz, contundente, surpreendente e delicioso nas ações que empreendia, que o tornavam herói sistemático da comunidade.
