O valor dos jogadores invisíveis
Decorria o ano de 2006 quando, em conversa com um empresário, fiquei a saber que o treinador de determinada equipa inglesa viria a Portugal, impulsionado pelas referências que lhe chegaram sobre o então jovem João Moutinho (20 anos). O míster tinha nome a mais para a expressão do clube que representava e trazia o entusiasmo que o talento sempre desperta e despertará. No dia seguinte perguntei ao dito empresário com que impressão ficara o seu convidado. Respondeu com alguma desilusão na voz: "Vimos o jogo juntos (em Alvalade), trocámos impressões de circunstância, perguntou meia dúzia de coisas sobre a equipa e, ao fim de 20 minutos, quis esclarecer uma dúvida: ‘Quem é o 17 do Sporting?’ E nunca mais se calou com ele." O 17 do Sporting era Nani. Três ou quatro ações em pouco mais de um quarto de hora chegaram para que a magia automática ofuscasse a competência, a infalibilidade, a presença constante e a maturidade precoce.
