Os milagres dão muito trabalho
Sempre que chegava o momento da renovação do contrato ecoavam as vozes dissonantes de uma corrente de opinião entre os dirigentes do Real Madrid. Não estava em causa o rendimento, o empenho, a eficácia, a titularidade raras vezes posta em causa num total de 334 jogos em representação da entidade mais ganhadora da história do futebol. O argumento moralista de quem ousava defender o indefensável era de que "o Real Madrid é um clube de cavalheiros", frase que levava implícita a acusação de que Pepe não obedecia aos padrões comportamentais exigidos. Quando, ao fim de uma década, abandonou o Bernabéu, não foi pela convicção de terem sido inúteis os esforços de o transformarem num mordomo engomado e solene, mas por terem entendido que, aos 34 anos, já não tinha mais para oferecer à nobre causa merengue. Nem mesmo o que era avaliado como nocivo aos parâmetros éticos de uma elite de branco vestida.
