Um craque no auge da carreira
Se o futebol é uma arte de engano, são cada vez mais valiosos os que elevam a mentira a uma lógica coletiva; introduzem o inesperado na cerimónia previsível da circulação; envolvem os companheiros em processos mais complexos de despiste de intenções e engrandecem um elemento do jogo reconhecido como sendo individual. Pizzi é o referencial benfiquista para dar eloquência a essa generalização de mensagens deturpadas, porque nenhum outro jogador encarnado tem com a bola e com o jogo intimidade tão profunda. Aliás, se pensasse, a bola saberia as regras antes de se cruzar com ele: não ficará muito tempo nos seus pés; a viagem seguinte será rápida (o passe é forte e seco); e acabará num lugar com pouca gente (a sua especialidade é descobrir espaços vazios).
