Um diálogo sempre difícil e arriscado
No futebol, as respostas emocionais coletivas não requerem a elaboração de raciocínios profundos, nem tecem grandes fidelidades; correspondem a impulsos momentâneos ditados pelo sucesso ou fracasso de uma intervenção, logo estão separados por uma linha demasiado ténue. O diálogo entre jogador e adeptos pressupõe uma comunicação de ida e volta instantânea: um oferece talento para que todos sejam felizes, os outros preparam-se para pagar com aplausos e afeto – o resto resume-se ao medo de não dar e à frustração de não receber. Também aí o diálogo é rápido: se a oferta falha, a retribuição é feita com recriminações em forma de assobios ou mesmo insultos. Todos têm de estar preparados para uma coisa e outra.
