Wendel e o Sporting de Keizer
Apesar do bigode com reminiscências cinematográficas, falta-lhe sentido teatral; jogando numa zona nevrálgica do campo, onde faz muito, bem e cada vez melhor, falta-lhe voz e sobra-lhe timidez para tomar conta dos territórios sem lei do meio campo. Era um adolescente promissor no Brasil, teenager bem referenciado, com futuro risonho e uma evolução para fazer, mais ainda, como parecia ser o caso, se aceitasse o apelo europeu que lhe foi colocado. No Sporting, Wendel precisou de adaptar-se às novas exigências táticas do jogo; viu travada a afirmação natural porque, para lá do superior talento individual sempre revelado, debateu-se com uma realidade desconhecida, mais complexa, envolvendo mais elementos de funcionamento coletivo. Jorge Jesus e José Peseiro não o sentiram apto a responder às exigências e obrigaram-no a crescer longe da ação, desde logo mais tempo do que o próprio jogador alguma vez imaginou. Marcel Keizer escolheu-o como rosto da mudança leonina; viu nele qualidades para alimentar a ideia que trouxe para Alvalade; confiou no seu talento, estabilizou a equipa e deu-lhe uma fisionomia diferente.
