A regra e o rio

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1] Comecemos pela ironia que dá o tom a esta final. Ardeu pelo caminho todo o grande nome de banco de clube, como Ancelotti, Tuchel, Pochettino, Nagelsmann. Sobram dois treinadores cuja folha somada nos clubes mal enche 11 jogos no Alavés. Não é acaso. O futebol de seleção não é o de clube, é outro ofício, e De la Fuente e Scaloni são-lhe filhos legítimos. Um vem da formação da Roja, o outro não tem passado que não a própria seleção. Mas há uma verdade mais funda por baixo da coincidência. Espanha e Argentina chegam aqui por serem dois países alinhados de alto a baixo numa ideia de jogo. O que De la Fuente construiu é menos uma equipa do que uma ortografia. A Espanha escreve o jogo sempre da mesma maneira, decidida há quase duas décadas, e o jogo posicional ensina-se ali da mais pequena academia ao palco maior. É essa continuidade — e não um génio isolado — o meio caminho para a grandeza. Um país inteiro a falar a mesma língua futebolística. É precisamente essa transparência a sua condição mais temível, pois nada oculta por não ter necessidade de o fazer. O adversário conhece o guião de cor e ainda assim vê-se forçado a persegui-lo, cena a cena, sem nunca chegar primeiro. Sabe-se o que vem. É muito complexo encontrar a fórmula de como travá-lo.

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