1] Portugal visitou o Azteca com os pés vazios de futebol, como quem entra numa catedral recém-restaurada e só repara nos andaimes. O nulo ante o México foi um exercício soporífero que Martínez classificou de ensejo para perscrutar personalidade, mas que pouco mais ofereceu do que a afirmação retumbante de que não há meio-campo sem Vitinha. O onze inicial emperrou desde a raiz. António Silva e Veiga, morígeros na saída, não arcaram riscos com bola nem discerniram soluções para furar a primeira linha de pressão rival. Bruno Fernandes monopolizou os escassos passes para finalização, mas foi, em grande parte do encontro, um maestro que superintendeu de costas para a orquestra. Félix, decisivo no corredor central, foi mantido teimosamente aberto na esquerda. Um desperdício evidente, como atestou quando concebeu uma receção orientada acutilante num raro assalto às entrelinhas. Na etapa complementar, a entrada de Vitinha melhorou e acelerou a circulação, mas a rotação massiva operada pelo catalão encontrou músicos descompassados. Neto acelerou sem aclarar, Guedes perdeu-se em indefinições desde os flancos, Paulinho mal tocou na bola. Ainda assim, a Seleção foi quem mais esteve perto de afiançar o triunfo. Ramos ficou a um poste de rubricar a primeira vitória de uma seleção europeia no Azteca desde junho de 1981. A bola, como a equipa, limitou-se a roçar a história sem lhe penetrar.
