A crónica de um fracasso anunciado

1 Foram precisos 27 jogos para que Roberto Martínez contemplasse, finalmente, o mesmo jogo que todos os portugueses viram. A exibição paupérrima ante a Dinamarca, que apenas venceu três dos seus últimos 11 jogos e saiu do Euro’2024 e do Mundial’2022 sem qualquer triunfo, foi tão inenarrável que era inexequível para o selecionador nacional não a definir como a pior da sua era. Um período em que, apesar dos 20 triunfos ante seleções acessíveis, nunca se viu uma exibição com uma nota artística elevada, ao encontro dos argumentos individuais dos jogadores que tem à sua disposição. Só que o vício em triviais dribles comunicacionais foram o mote para desviar atenções sobre o malogro indecoroso da sua abordagem ao embate e da sua contundente falta de ambição na altura em que teve de protagonizar substituições, ao pensar que o nulo seria um resultado atraente. Dos previsíveis cinco meses sem trabalhos – que, no fundo, são quatro, mas que seriam bem mais árduos para uma seleção que apresentou um novo treinador no final de outubro, como foi o caso de Brian Riemer na Dinamarca – à distinta lata de falar em falta de embates neste patamar, quando, na altura em que teve ensejo de disputar particulares contra opositores de primeiro nível, optou por defrontar Irlanda, Croácia, Finlândia, Eslovénia e Suécia, com o objetivo falhado de continuar a somar triunfos. Se isso não chegasse, como um treinador que pensa pequeno, centrou as suas explicações em problemas defensivos, recorrendo à falta de intensidade física – felizmente, João Neves, no pós-jogo, falou de falta de intensidade técnica e tática, que, juntamente com a psicológica/mental, talvez aquela em que mostramos mais debilidades, são tão ou mais relevantes do que a primeira – e às arduidades para se impor nos duelos e na antecipação. Só depois é que se centrou no principal problema, que, como sempre, é a incapacidade para saber o que fazer com bola. Bem patente nos problemas para superar a pressão rival e na forma como se pretende fazer tudo à pressa com poucos toques com parca perceção do tempo e do espaço.

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