A força do coletivo contra o peso do individual
1 Da unidimensionalidade da posse como identidade, que redundou em prestações paupérrimas em quatro das cinco derradeiras grandes competições internacionais, na sequência da hegemonia do futebol europeu e mundial entre 2008 e 2012, a uma ideia de jogo ousada, que, sem deixar de querer ter bola, para ser dominadora e controladora, ostenta uma verticalidade e uma objetividade tremendas, escoradas pela vertigem e pela agressividade nas ações com e sem bola. É este o novo rosto da Espanha, a seleção que melhor futebol praticou no Euro’24 a partir de uma estrutura em 4x3x3 (com derivações para o 4x2x3x1), e que busca, com indiscutível favoritismo, avassalar o quarto troféu na prova, o que a tornará na recordista de conquistas de Europeus. Um caminho que começou a ser traçado por Luis Enrique, semifinalista no Euro’20 e que caiu, com estrondo ressonante ante Marrocos, nos oitavos do Mundial’22, mas que encontrou o ponto de rebuçado com Luis de la Fuente, um treinador circunspecto e harmonizador, mas que, durante demasiado tempo, foi olhado com desconfiança, ao ponto de muitos críticos não terem creditado la roja como candidata ao título. Independentemente da conquista da Liga das Nações’22/23, depois de superar Croácia, Itália, Portugal – com vitória decisiva em Braga, ao cair do pano –, Suíça e Rep. Checa, após oito anos nas seleções de base, em que sobressaíram as conquistas dos Europeus de sub-19 (2015) e de sub-21 (2019), além da prata olímpica em 2020, o que lhe permitiu trabalhar de perto com grande parte do elenco que convocou para a Alemanha.
