Observatório

Rui Malheiro
Rui Malheiro Analista

As primeiras labaredasde Espírito Santo

Conviver com a obrigatoriedade de colocar um ponto final a um ciclo de três anos sem conquistas é a tarefa hercúlea de Nuno. O FC Porto parte em desvantagem em relação aos rivais pela necessidade de reconstrução de um plantel e de edificação de um novo modelo de jogo. Algo que poderá mudar nos próximos dias, caso se confirmem as aquisições de Óliver Torres, um médio-ofensivo que, pela sua capacidade de condução, leitura de jogo e excelsa tomada de decisão, será capaz de oferecer uma grande melhoria à qualidade do jogo, e de Rafa (disputado com o Benfica), um extremo desequilibrador que regalará ferocidade às transições ofensivas, momento do jogo que ganhará uma preponderância superlativa com Espírito Santo. A maior dor de cabeça é o centro da defesa, carente de uma dupla de peso, o que se confirmou ante o Rio Ave. Felipe denota ainda dificuldades na definição da última linha e no tempo de entrada aos lances, enquanto Marcano vive num limbo entre a competência e a inconsistência gritante.




As diagonais de Otávio da esquerda para o centro são uma das imagens do FC Porto. Ao talento do brasileiro, cada vez mais capacitado para jogar com o coletivo, junta-se a busca de desmarcações de rutura, quase sempre para André Silva, sagaz a desmarcar-se entre central e lateral. Importante a dinâmica dos interiores – Herrera (a criar linhas de passe vindo de trás) e André (a entrar no espaço de 2.º avançado) – e a argúcia de Telles a atacar a profundidade à esquerda

Nuno tem sido muito sagaz. Além de buscar, através de um discurso afirmativo, o reavivar da mística, protagonizou uma revolução no plantel, mostrando-se destemido no momento de fazer escolhas. Juntam-se ainda as boas ideias dentro do campo, onde tem sido notória a aposta numa estrutura a variar entre o 4x2x3x1 em fases mais recuadas (André como médio mais ofensivo) e o 4x3x3 (Herrera a assumir o duplo papel de segundo médio), e uma evolução na perceção do que é pretendido: uma equipa compacta e reativa à perda, que precisa de se tornar mais sólida a defender (2) (5), mas que já mostra argumentos para ser contundente no contragolpe (4) sem renegar a posse e um futebol mais combinativo, nunca perdendo a apetência pelo ataque à profundidade, em que as diagonais de Otávio da esquerda para o centro (1) (3) assumem papel crucial.





Alguma exposição no momento de transição defensiva, mesmo apostando na subida à vez dos laterais: Alex Telles mais ofensivo do que Maxi. Os centrais sentiram dificuldades perante passes longos para as suas costas. Mas foram os desdobramentos ofensivos de Maxi que abriram mais crateras, algo que Herrera, com posicionamento e disponibilidade física, tentou compensar

A fava romana

A competição a doer começa hoje no Dragão, mas os sinais que a Roma mostrou na pré-época – 6 jogos, 6 vitórias e 28 golos marcados – foram muito afirmativos. Além do investimento de 100 milhões de euros, a equipa registou um trajeto ascensional desde o regresso de Spalletti. Em 21 jogos oficiais, o treinador somou 14 vitórias, 4 empates e 3 derrotas – ante Real Madrid (em duas ocasiões) e Juventus –, montando uma equipa capaz de assumir o jogo no meio-campo adversário, mas também contundente no contragolpe – fruindo da velocidade e imprevisibilidade de Salah, El Shaarawy e Perotti (só deverão jogar dois), além da ferocidade de Dzeko, que recuperou os dotes de finalizador (11 golos em 5 jogos na fase preparatória), no ataque à profundidade – e no aproveitamento de bolas paradas laterais – atenção aos movimentos de antecipação ao primeiro poste! – e frontais. A perda do criativo Pjanic levou Spalletti a apostar num trio de médios de contenção: De Rossi, mais fixo, apoiado por Strootman e Nainggolan, sempre mais disponível para se desdobrar ofensivamente e surgir em zonas de finalização. O reforço do sector defensivo, de longe o mais instável, ainda precisa de ser testado em altíssima competição, assim como algumas debilidades no momento de transição defensiva, momento que o FC Porto deverá explorar exaustivamente.



Foi assim que o FC Porto se colocou em vantagem. Otávio atacou o corredor central, tabelou com André André e serviu Herrera, lesto a soltar uma bomba desde as entrelinhas



Promete ser uma imagem do Dragão: a ferocidade no contragolpe numa situação em que o bloco estava mais baixo. Passe longo de Alex Telles, Otávio arguto no ataque à profundidade




Foi de canto que o FC Porto sofreu golo. A opção foi defesa mista: zona no 1.º poste com três jogadores, outros três a marcarem individualmente (Marcelo escapou). Não surtiu efeito

Deixe o seu comentário

Assinatura Digital Record Premium

Para si, toda a
informação exclusiva
sempre acessível

A primeira página do Record e o acesso ao ePaper do jornal.

Aceder

Pub

Publicidade
apenas 1€ por mês
experimente sem compromisso e garanta o seu lugar na bancada da melhor informação deportiva.
  • conteudo record em qualquer sítio e a toda a hora
  • acesso no pc, tablet e smartphone
  • versão e-paper do jornal no dia anterior
  • conteudos exclusivos para assinantes
  • suplementos especiais

Copyright © 2020. Todos os direitos reservados. É expressamente proibida a reprodução na totalidade ou em parte, em qualquer tipo de suporte, sem prévia permissão por escrito da Cofina Media S.A. Consulte a Política de Privacidade Cofina.