Da primária à universidade do futebol
1] Acredito firmemente, tal como Johan Cruijff disse um dia, ao referir-se ao principal ensinamento que acoitou de Rinus Michels, o pai da Laranja Mecânica e avô do Futebol Total, que no futebol tudo assenta na distância. Por isso, as equipas mais completas, o que nem sempre significa as mais vitoriosas, serão aquelas que exibem um maior domínio dos espaços e do tempo no terreno de jogo. Descodificando, cada jogador deve entender o espaço e o tempo em cada um dos momentos do jogo – organização ofensiva, organização defensiva, transição ofensiva, transição defensiva, e situações de bola parada –, e é o trabalho aturado – cá está, a importância decisiva do treino e dos projetos de longa duração –, com os princípios e os subprincípios de cada um desses momentos, que lhes permitirá compreender o que devem fazer nas diferentes situações de forma precisa. Ou seja, o jogador deve saber que espaço deve ocupar e em que momento o deve ocupar, e também qual o espaço que os seus companheiros devem preencher no mesmo momento, e em que momentos eles estarão no espaço. Há quem acredite que se deve partir do domínio dos espaços para executar no tempo certo, mas existe também a ideia inversa de que se deve controlar os tempos para depois avassalar os espaços. Mas o papel capital do domínio do espaço e do tempo é comum aos dois conceitos.
