Entre o quase perfeito e o imperfeito

1 Não creio que a derrota do FC Porto na deslocação ao Bodø/Glimt tenha redundado de incúria de Vítor Bruno na preparação da partida ante a formação que caminha serenamente para alcançar o quarto título norueguês em cinco exercícios. Um clube que, mesmo sendo obstinadamente vendedor para poder contratar jovens talentos por valores baixos com o fito de sobreviver no topo e de os aprimorar e valorizar para fomentar futuras vendas, beneficia do labor superlativo de Kjetil Knutsen. Em seis anos e meio, o treinador norueguês, sem passado como futebolista, erigiu um modelo de jogo de perfil marcadamente ofensivo, prosperado a partir de uma organização estrutural num inegociável 4x3x3, que o metamorfoseou num treinador de culto que já transpôs fronteiras, o que se agudizou quando se tornou no primeiro a comandar uma equipa que infligiu seis golos a uma formação comandada por José Mourinho. Independentemente de ter abdicado do treino de adaptação ao sintético de última geração do bando amarelo, rememorando que os portistas tinham ganho uma Taça Intercontinental num relvado coberto de neve, Vítor Bruno evidenciou, como é seu timbre, um estudo detalhado do rival, tal como fizera, há uma semana, em Guimarães, onde afiançou um triunfo contundente por 3-0, na melhor exibição da ainda curta era do conimbricense como treinador principal dos azuis e brancos. Só que na Noruega foi mais clara a perceção das menos-valias do antagonista, algo que foi perfeitamente visível nos primeiros vinte minutos de jogo, do que das suas mais-valias, mesmo estando muito longe de ser desconhecidas.

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