O fantasma e o relógio
1] Miami não mentiu no relvado. Só no resultado. O problema da Seleção não foi ser posicional. Foi ser rígida, sem relações. Alinhou num 4x3x3 que recuava para 4x4x2 ante uma estrutura quase gémea, só que separada por um continente de execução. A Colômbia movia-se dentro da sua caixa para arrastar o bloco luso e inverter por Lucumí, com James com liberdade criativa e os laterais a chegarem de trás para o vazio. Portugal fez o oposto. Ocupou o terreno em vez de o ligar, com distâncias demasiado longas entre futebolistas, o que inibe a pausa e desliga o cérebro. Com posse repartida, a Colômbia rematou 24 vezes contra 13 e somou 1,85 golos esperados, ante 0,97, concentrando o perigo na zona nobre, enquanto Portugal o dispersava por ângulos de baixo retorno. A superioridade foi de criação, não de bola. Os cafeteros fizeram mais porque a qualidade esteve nas relações. Não venceram por três razões simétricas: a ineficácia no último terço, um Diogo Costa em estado de graça e a chuteira adiantada de Davinson Sánchez aos 90'+1'. No quadro vê-se equilíbrio. Em campo, viu-se uma equipa a tecer e outra a tropeçar.
