A análise de Rui Malheiro sobre as águias

Rui Malheiro
Rui Malheiro Analista

O relatório do Benfica 2018/19: Regresso ao 4x4x2

Tendo em conta o que aconteceu na segunda metade da época passada, parecia-me boa ideia que o Benfica continuasse a apostar numa estrutura em 1x4x3x3. Com isso, mesmo apresentando problemas no processo ofensivo, que continuou excessivamente dependente das individualidades, o Benfica tornou-se numa equipa capaz de preencher de forma mais harmónica os espaços e de contar com mais unidades desequilibradoras a atuar em simultâneo. Por isso, os triângulos, principalmente os que foi capaz de definir à esquerda, com combinações entre Grimaldo-Zivkovic ou Krovinovic-Cervi revelaram-se determinantes no crescimento do rendimento da equipa, o que permitiu que se relançasse na corrida pelo título.

Contudo, sempre se percebeu que, ao sentir-se apertado no decurso dos jogos, Rui Vitória não resistia a retornar à estrutura em 1x4x4x2. Algumas vezes com bons resultados para desbloquear partidas, até porque tinha mais presença na área contra equipas que se posicionavam nos últimos metros, mas o problema que foi visível durante os dois anos e meio em que utilizou essa organização estrutural, persistia: uma equipa com demasiada pressa em chegar à baliza rival, com pouca capacidade para estabelecer um jogo associativo, e mais vulnerável no momento de transição defensiva, algo que ajuda a explicar os resultados dececionantes na Liga dos Campeões – sete derrotas consecutivas – e a inexistência de triunfos ante o FC Porto.

Sem surpresa, as aquisições de Ferreyra e Castillo apontam para o regresso ao 4x4x2. Isto porque Jonas, o melhor definidor do campeonato (no remate e no último passe) ,terá de ser sempre titular, e porque Chucky Ferreyra, com elevado estatuto fruto das épocas no Shakhtar, não seria contratado para ficar no banco. Aqui, o trabalho passará por conseguir o acasalamento entre os dois, algo perfeitamente possível tendo em conta as características de ambos: ao génio de Jonas, Ferreyra acrescenta mobilidade, veemência no ataque à profundidade, e golos no plural. Já o papel de Castillo terá de começar por ser secundário. Primeiro, terá de se (re)adaptar a um futebol europeu onde não criou raízes, e ganhar outra estabilidade emocional. Depois, terá de estar preparado para fazer a diferença nos poucos minutos que estará em campo, algo que Jiménez fazia com sagacidade. Ao recorrer a Castillo, o Benfica procurará sempre um jogo mais direto, pois é dos três avançados aquele que tem mais o perfil de referência na área. Agora, com dois avançados em simultâneo, o Benfica ficará mais exposto em transição defensiva, voltará a ter apenas um 8, o que poderá tornar a equipa menos equilibrada, mas Rui Vitória prometeu uma equipa capaz de ser dominadora, e tem um mês e meio para preparar um novo jogar, mais associativo e dominador com bola, onde terá necessariamente de ter alas mais contundentes na exploração do espaço interior, de forma a que este não fique deserto – Zivkovic e Krovinovic poderão ser cruciais –, e laterais pungentes no ataque à profundidade e capazes de oferecer soluções à largura.

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