Os excessos entre a euforia e a depressão

1] Há uma semana e um dia, após o retumbante triunfo ante a Turquia, a euforia instalou-se de forma destravada entre os apaniguados lusos, que, à segunda jornada, festejaram o triunfo no grupo e a passagem aos oitavos. Só que a vitória indiscutível e o resultado contundente não expressaram uma exibição perfeita. Bem longe disso. Até porque foi a consistência defensiva, com Pepe num nível superlativo, a estabelecer as principais disparidades. É que após um início equilibrado, com a Turquia a superar a pressão lusa – bem melhor definida do que no passado recente – através da entrada de bola no lateral-esquerdo Ferdi, procurava criar situações de superioridade no corredor oposto, expondo Nuno Mendes ante Çelik e Yunus. O que obrigou, em momento defensivo, ao recuo de Rafael Leão, pouco lesto a acompanhar Çelik na transição defensiva, formando, quando necessário, uma última linha a 5. Os dois tentos no espaço de 8 minutos, assinados por Bernardo, após uma excelente triangulação entre Mendes e Leão à esquerda, à qual se juntou um magnífico movimento de arrastamento de Vitinha, e por Samet na própria baliza, num desentendimento garrafal com o guardião Altay, após uma incisiva condução e afirmação em duelos de Cancelo, que falharia a rutura para Ronaldo, ofereceram um conforto definitivo ao combinado indígena. A Turquia procurou reagir, e Kerem, à esquerda, criou desequilíbrios. Só que a resposta dissolveu-se com o terceiro tento, em que Bruno Fernandes deu a melhor resposta a um momento de altruísmo de Ronaldo, na sequência de uma combinação à direita entre Bernardo e Rúben Neves, incisivo a efetuar um passe longo que desfraldou uma última linha pessimamente definida e com problemas no controlo da profundidade. A partir daí, Portugal procurou controlar o jogo, fechando os caminhos para a sua baliza, e geri-lo com bola, o que nem sempre afiançou, por imprecisões no passe e na decisão fruto do ritmo baixo imposto. O que não impediu que, face aos espaços concedidos pelo rival, o 4x0 tenha estado mais perto de acontecer do que o 3x1, em dois momentos de um futebol associativo esdrúxulo.

Deixe o seu comentário

Pub

Publicidade