Quatro lages sobre o cholismo
1 Poucos esperariam que a receção ao Atlético Madrid redundasse numa das noites europeias mais superlativas da extensíssima história do Benfica. A exibição esdrúxula das águias redundou de três fatores fundamentais. Em primeiro lugar, a consistência do processo defensivo, que quase não consentiu que o Atlético Madrid conseguisse finalizações limpas em 90 minutos. Mesmo quando, na etapa inicial, após se colocar em vantagem, os encarnados passaram por uma fase de maior aperto, vendo-se obrigados a baixarem o bloco de forma excessiva. Só que a forma coriácea como defenderam em bloco médio, médio-baixo e baixo roçou o irrepreensível, rememorando o maior estandarte que metamorfoseou Simeone no treinador mais bem pago do Mundo. Em segundo lugar, e que acabaria por se transformar, com o desenrolar do embate, no principal aspeto de uma exibição insigne, a impressionante incisividade ofensiva rubra. Bem elucidada em 4 golos, 3 paradas imensas de Oblak, a finalizações de Pavlidis, Di María e Beste, uma bola ao poste de Pavlidis – já que a bola ao ferro de Rollheiser foi abichada em fora-de-jogo – e um remate de Amdouni que passou a centímetros do arco colchonero. E, por fim, a paupérrima prestação dos rojiblancos, que não exibiram grande respeito pelo valor do rival. Assim, exibiram-se, tanto a defender como a atacar, a um nível indecoroso, e, se isso não bastasse, tiveram no banco um comandante com um ego tão esdrúxulo que foi capaz de abdicar, ao intervalo, de Koke, De Paul e Griezmann, as três unidades mais capazes de instituírem ligações bem-sucedidas, substituindo-os por Gallagher, Serrano e Sorloth, de forma a consolidar a mudança de estrutura para o 4x4x2, o que se revelaria num desastre corrosivamente aproveitado pelo Benfica em momento ofensivo. Mas, acima de tudo, foi só mais um penoso assombro do ego estapafúrdio de Cholo, que, com comprometimento dos donos, dos diretores e de grande parte dos adeptos, nunca deixará de se sentir bem maior do que o clube histórico que representa.
