O relatório sobre o adversário de Portugal

Rui Malheiro
Rui Malheiro Analista

Uruguai: Rombo na verticalidade

O percurso limpo – com três triunfos e sem golos sofridos – no grupo mais acessível gera uma ideia de força acima do real valor do próximo rival da Seleção nacional. O que viria a ser robustecido pelo triunfo contundente ante a frágil Rússia (3-0), após as exibições soporíferas frente a Egito (1-0) e Arábia Saudita (1-0), onde ficou bem patente a abordagem excessivamente conservadora e um divórcio quase total com a bola. Algo que ajuda a explicar que os cinco tentos charruas tenham sido obtidos na sequência de lances de bola parada, claramente a sua principal força. O que obrigará a concentração superlativa lusa para evitar livres frontais, onde Suárez e Cavani assumem total protagonismo, e para obstar ao ataque à primeira – Godín e Giménez (ou Coates) – e à segunda bola – Suárez e Cavani – na sequência de livres laterais, pontapés de canto e lançamentos de linha lateral longos.

Habitualmente fiel a um 4x4x2 clássico, utilizado nas duas primeiras partidas e na maioria dos jogos da qualificação, Óscar Tabárez recorreu ao 4x3x1x2 diante da Rússia, o que poderá ser repetido amanhã. Isto porque ao desenhar um rombo (losango) no meio-campo, o maestro afiançou uma melhor ligação entre setores, dando finalmente som a um meio-campo rejuvenescido por jogadores associativos e criativos, onde Bentancur assume um papel crucial. Contudo, sem abdicar dos traços fundamentais do ideário do selecionador: a pressão incisiva, a ferocidade na marcação, e a verticalidade extrema. Algo previsível em ataque posicional, o que é convidativo a uma pressão média-alta/alta que conduza a erros, a seleção uruguaia, além da força extrema que patenteia no aproveitamento de lances de bola parada, sobressai pela incisividade evidenciada na exploração de ataques rápidos e contra-ataques, sempre direcionados a Suárez e Cavani, que visam a busca permanente das costas da defesa rival.

Fortíssimos na reação à perda e capazes de condicionar a primeira fase de construção do adversário, os uruguaios ainda não viram o seu processo defensivo ser devidamente testado. Isto porque apresenta debilidades no momento de transição, que se agudizam quanto mais subida estiver a linha defensiva, já que são notórias as arduidades em velocidade e no controlo da profundidade. Além disso, a defesa de cruzamentos – em bola parada e em bola corrida –, apesar do tremendo jogo aéreo dos defesas-centrais, é falível, sobretudo se o oponente for sagaz a explorar ações de antecipação (primeira bola) e agressivo no ataque às segundas bolas.

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