Ricciardi vence debate mas perde no futebol

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José Maria Ricciardi venceu o primeiro debate televisivo que reuniu alguns dos candidatos à presidência do Sporting. Um debate incompleto. Incompleto nas temáticas. Incompleto por terem faltado candidatos relevantes.

No contexto em que se realizou, não foi um grande debate, mas já deu para perceber dinâmicas e estratégias ou a ausência delas. No plano das ideias, pouco. Muito pouco.

A profusão de candidatos (a ver quantos reunirão os pressupostos para se apresentarem, de facto, a eleições) é desde logo um argumento a condicionar um bom debate. E, se já foi difícil com 4, imaginar-se-á, por exemplo, com 6 ou 7… No caso do debate de quarta-feira, a disposição dos concorrentes – parecia uma linha defensiva a procurar o fora-de-jogo… – também não ajudou. As ausências de Frederico Varandas e João Benedito, principalmente, e também a de Francisco Tavares Pereira, não permitiu uma primeira avaliação sobre quem está mais preparado.

Pelo que se (tele)viu, José Maria Ricciardi ganhou o debate. Porque aproveitou bem o facto de ter sido o primeiro a intervir e porque o fez com elevação (situação dos incêndios) e determinação (ataque aos ausentes; ele sabe que tem de aproveitar todas as oportunidades para desgastar Varandas e Benedito). Acresce que, em matéria de análise financeira (embora muito estigmatizado, publicamente, com toda a temática relacionada com os ‘lesados do BES’), Ricciardi é um expert e, neste capítulo, apesar dos esforços de Pedro Madeira Rodrigues na contra-argumentação, goleou todos os presentes, que ficaram a saber mais alguma coisa…

Ricciardi deu uma garantia importante (embora os ventos fortes que nos sobressaltam e a ‘instabilidade meteorológica’ que se sente em todo o Mundo mais os ‘buracos do ozono’ a ameaçar o presente e o futuro, lançando dúvidas acrescidas sobre as promessas que se fazem nestes tempos de poucas ou nenhumas certezas, apontam no sentido de que nada é seguro): com ele na presidência, Sporting CP mantém maioria de capital na SAD. A radiografia, simples, do momento financeiro do Grupo Sporting transformou Ricciardi na locomotiva e os outros concorrentes nas carruagens.

Toda a gente ficou a saber aquilo que já se sabia: o próximo presidente dos leões não vai ter vida fácil e a recuperação financeira (a começar com a resolução dos problemas de tesouraria) é uma prioridade, ao mesmo tempo que é preciso assegurar que o Sporting, desportivamente, não se afaste de Benfica e FC Porto e não se deixe ultrapassar pelo Sp. Braga.

Ricciardi ganhou o primeiro debate televisivo (muito incompleto), mas foi para ele depois de cometer um erro crasso, do qual dificilmente recuperará: a escolha de José Eduardo para liderar o futebol. É um tiro no pé do verdadeiro interesse leonino. As ‘boas equipas’ só funcionam se tiverem um bom líder (e Ricciardi parece ter competências de liderança), mas, na hipótese de o líder não ser um expert em futebol, como é o caso vertente, a escolha do responsável por esta área tão sensível e tão importante não pode ser subestimada. Só a falta de conhecimento profundo sobre a ‘área futebol’ pode ter conduzido Ricciardi a apostar em José Eduardo.

É que José Eduardo (JE) concentra tudo o que o Sporting não precisa. Não precisa de pessoas que utilizam o Sporting para alavancar os seus próprios negócios. Este é um problema que não é exclusivo do Sporting.

Hoje, com a banalização do acesso à figura do presidente, até pelo simples facto de compensarem as remunerações conseguidas a nível de SAD, os clubes de futebol deixaram de ser apenas trampolins de afirmação pessoal (já não é só uma questão de status público) para serem excelentes empregos, não apenas a nível de ordenados mas também no que concerne a outras mordomias. E quando a isso se junta a oportunidade de optimizar um determinado negócio então… até o som das trombetas ecoa nos céus!

JE, empresário ligado à área da restauração, ganhou muito dinheiro no Sporting, durante anos e com presidências distintas, a vender o seu negócio. É daí, de resto, que vem parte da explicação dos ‘croquetes’, designação essa que Ricciardi abomina. No mínimo, o que se pode dizer é que , no caso de JE, se trata de um ex-atleta e de um sócio com um $portingui$mo muito conveniente. Não é crime, ressalve-se, mas é uma prática eticamente reprovável. De resto, foi o próprio Bruno de Carvalho a justificar o fim da relação com José Eduardo, apontando para a quebra do vínculo contratual.

O Sporting, de facto, não precisa de croquetes. Precisa de vitaminação e de quem não se sirva do clube para se governar.

* Texto escrito com a antiga ortografia

JARDIM DAS ESTRELAS - ***

Nunca tires o Fejsa!

Começou a Liga 2018-19. E começou bem para o Benfica, com uma primeira parte de grande nível, mesmo considerando o desperdício do penálti (por Ferreyra) e a reacção do Vitória, que lhe poderia ter dado o empate (Boyd ao poste). Um arranque forte dos encarnados, com velocidade na manobra ofensiva (garantindo organização táctica, a velocidade é o argumento mais distintivo no futebol moderno) e uma excelente reacção à perda de bola, com todos os jogadores envolvidos na tarefa da sua recuperação. Desde que entrou na equipa principal, GEDSON logo exibiu as suas credenciais, com bons jogos e um ou outro menos conseguido, o que é perfeitamente normal porque se trata de um menino com 19 anos, e ontem vimo-lo fazer, com maior consistência, algo que o Benfica precisa muito, isto é, um jogador que estique o jogo, sem perder a noção do espaço e a capacidade de o recuperar, na transição defensiva. O resultado cresceu muito até ao intervalo, porque Gedson e PIZZI foram determinantes nesses domínios (elasticidade atacante, com grande eficácia nos reposicionamentos), e Pizzi, em particular, mostrou bem a sua tendência para aparecer onde era necessário, nos momentos de finalização. Um médio alcançar um hat trick é sempre algo a valorizar, mas não se pode desprezar aquilo que aconteceu na segunda parte, com o Vitória a marcar 2 golos (e o SLB nenhum). E a quebra de rendimento colectivo do Benfica teve a ver com uma regra que não deve ser quebrada, em contexto algum, na equipa da Luz: nunca tires o FEJSA, mesmo quando estás a ganhar por 3-0 e tens um jogo de milhões, na próxima terça-feira. A falta de Fejsa teve um impacto brutal e desculpem qualquer coisinha mas FERREYRA nunca vai fazer esquecer… JONAS.

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