Pressão alta

Rui Santos
Rui Santos

A farsa continua no futebol do Sporting

O Sporting consegue dar a volta à eliminatória com o FC Porto, nas meias-finais da Taça de Portugal, levando o jogo para tempo extra e superiorizando-se na conversão dos pontapés de penálti, na hora decisiva de desempatar, e está próximo de uma proeza assinalável, que é conquistar um segundo troféu na temporada, se evidentemente o Desportivo das Aves estiver pelos ajustes, porque temos sempre de contar com a qualidade e generosidade dos adversários e José Mota, treinador experiente, fará tudo para optimizar todos os seus recursos, numa tarde que, independentemente do resultado, será inolvidável para ele próprio e para os seus pares e adeptos.

O Sporting está na final da Taça de Portugal da única maneira possível, considerando a conjuntura de sobrecarga física em que se encontrava, perto dos limites, como diz o treinador, na sequência de um conjunto de jogos exigentes, como o foram as partidas com o Atlético de Madrid, em Alvalade; com o Belenenses, no Restelo; com o FC Porto, também em casa, sem esquecer as dificuldades esperadas na recepção ao Paços de Ferreira, na sequência da crise desencadeada pelo presidente, logo após o desfecho da primeira mão dos quartos-de-final da Liga Europa, no ‘Wanda Metropolitano’, em Madrid. Com efeito, o Sporting só conseguiria chegar ao Jamor da forma como o fez: com muita cabeça e gerindo o esforço com equilíbrio e bom-senso. Nesse sentido, houve – desta vez – a tal italianização já referida por Jorge Jesus, mas nem sempre ajustada à realidade, quer dizer, uma certa cientificação técnico-táctica do futebol do Sporting, com uma quase perfeita ocupação do(s) espaço(s) e escolha das ‘zonas de pressão’, gestão essa que o FC Porto, demasiado encostado à diferença mínima que trazia da Invicta (o mesmo pecado que o Benfica havia cometido, precisamente na recepção aos ‘dragões’), não soube contrariar.

Depois de o FC Porto se ter apresentado forte na Luz, conseguindo o seu objectivo principal – sair vencedor e recuperar o primeiro lugar do campeonato, a quatro jornadas do fim –, a vitória dos leões frente aos azuis-e-brancos assume, por isso, dimensão de maior proeza. Proeza que será consumada, na sua forma máxima, se o Sporting conseguir impor a condição de favorito, no Jamor, porque isso corresponderá à conquista de dois troféus na temporada, algo que já não acontecia desde 2008 (Taça e Supertaça), isto é, há dez anos. Em síntese, nesse cenário, o Sporting transforma uma ‘época razoável’ (1 troféu), numa ‘boa época’ (2 troféus), com uma aproximação à ‘zona do título’, antevendo-se nesse sentido que o jogo com o Benfica, na penúltima jornada, assuma contornos de (nova) final.

Depois de Bruno de Carvalho colocar o rótulo de ‘meninos mimados’ aos jogadores do Sporting, na sequência de uma conhecida dinâmica de comunicação que privilegia o ataque indiscriminado a ‘tudo e a todos’, a qual só faltava abarcar os jogadores e, indirectamente, o treinador, com a consequente reacção do balneário e, logo a seguir, a tomada de posição de muitas figuras ligadas ao ‘universo Sporting’, fazendo com que todas as atenções no espaço mediático se virassem, incrivelmente, para o ‘reino do leão’, o presidente verde-e-branco tentou, no jogo com o FC Porto, uma reaproximação aos sócios e adeptos e uma aproximação aos jogadores, que, neste último caso, lhe saiu particularmente mal. Os jogadores fizeram o seu ‘joguinho’, foram competentes também nos pontapés de penálti, eliminaram aquele que é, neste momento, o principal candidato ao título, e festejaram. Com adeptos e treinadores, apesar da tentativa do presidente em se juntar à festa, com avanços tácticos não correspondidos.

Bruno de Carvalho é o presidente do Sporting, eleito democraticamente – e isso ninguém contesta. Isso não lhe dá, contudo, o direito de tratar mal as pessoas e as instituições, sejam elas quais forem, e achar-se portador do estatuto anti-crítica.

Bruno de Carvalho ‘ pinta a manta’, utiliza todo o arsenal de ataque que tem à disposição, inclusive dentro de casa, como se tem visto, achava-se capaz de continuar numa delirante ofensiva até os sócios e adeptos o brindarem com assobios e lenços brancos em Alvalade e, depois, recuando aquilo que obrigatoriamente teve de recuar, faz de conta que nada aconteceu, finge que está integrado no grupo e tenta uma aproximação aos jogadores, recuperando a sua condição de (grande) actor, não revelando quaisquer problemas com a dimensão da farsa. Só falta mesmo reivindicar que a crise que desencadeou no futebol do Sporting foi com a magna intenção de promover a eclosão destes resultados desportivos. A farsa continua e não se sabe mesmo quando e como vai acabar. Talvez BdC não mereça ter Jorge Jesus como treinador. Que ‘segurou’ a equipa quando o clube mais necessitava.
* Texto escrito com a antiga ortografia


JARDIM DAS ESTRELAS -- 5 estrelas

Vídeo-arbitragem
nos ecrãs do Mundial

O futebol não tem a cultura desportiva do râguebi. Não há modalidades desportivas ‘perfeitas’, mas há diferenças que se estabelecem, de modalidade para modalidade. O râguebi sempre se distinguiu pelo respeito entre adversários e pelo respeito dos jogadores em relação às decisões das equipas de arbitragem. A protecção da integridade do jogo é aquilo que o jogo tem de melhor e de mais nobre. Por isso, o râguebi é um grande exemplo e uma referência na protecção da Verdade Desportiva e, por isso, o râguebi é um grande exemplo na utilização e gestão das novas tecnologias, cultivando a transparência, que se faz, nomeadamente, com a exibição das imagens nos ecrãs gigantes dos estádios, em lances de dúvida e que promovem a intervenção do vídeo-árbitro. O futebol, que não tem a capacidade de racionalizar as emoções na competição como tem o râguebi, vai adoptar no Mundial-2018, pela primeira vez, uma prática que já é corrente na ‘bola oval’ há muitos anos: passar as imagens susceptíveis de análise da vídeo-arbitragem, após a sua visualização e veredicto. É um grande avanço, pese embora o atraso que o futebol tem nesta matéria, e uma conquista que precisa de ser consolidada.


O CACTO -- É crime?

A matéria ora publicada na revista ‘Sábado’, que revela ter o Benfica gizado um plano – programado e estruturado, desde 2012 – para assumir como desafio o ‘controlo’ sobre ‘Federação’, ’conselhos de arbitragem’, ‘poder político’, ‘meios de comunicação’’ e ‘judicial’, naquilo que o respectivo documento sintetiza como "conquistar a capacidade de influência" era aquilo que faltava para dar crédito à tese da benfiquização que introduzi como tópico de discussão junto da opinião pública. Resta saber, agora, o que resulta apenas de profissionalização da organização ou de algo mais complexo que possa ter a ver com…crime(s).






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