André Villas-Boas – a ‘solução FC Porto’

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Depois de ter sido assobiado como nunca no Estádio do Dragão e de ter sido brindado com um estendal de lenços brancos no final do jogo com o Marítimo para a Taça da Liga, isto depois das manifestações de protesto protagonizadas por elementos da claque portista no regresso da eliminação da Liga dos Campeões, Julen Lopetegui tem esta noite, no Estádio José Alvalade, um importante e porventura crucial teste para afirmar a sua capacidade de mobilização junto dos adeptos, da equipa e da SAD azul e branca, cujo presidente, Pinto da Costa, vai todavia defender o treinador basco – já se percebeu – até ao limite da sua tolerância.

Julen Lopetegui entra hoje em Alvalade como o técnico da equipa que comanda o campeonato. Essa condição de líder conquistou-a recentemente, depois de o Sporting ter deixado, de forma inesperada, três pontos na Madeira, frente ao União, onde o Benfica já havia deixado dois. Todavia, depois de chegar ao lugar mais alto da Liga, Lopetegui foi espezinhado pelo Marítimo no Dragão (Taça da Liga) e nem essa nova condição de líder evitou que os adeptos se manifestassem não apenas contra os resultados, mas principalmente contra a gestão e contra a irregularidade das exibições dos azuis e brancos.

Apesar de comandante do campeonato, o débito de Lopetegui, junto da comunidade portista, é evidente. O treinador basco foi uma grande aposta de Pinto da Costa e Pinto da Costa gosta de ver as suas principais decisões terem sucesso, até porque no momento da apresentação o velho timoneiro dos dragões revelou o objectivo de "perder apenas de vez em quando" (já lá vão quase duas épocas e meia sem ganhar nada) e de "construir uma equipa sólida". A actual equipa do FC Porto é tudo menos uma equipa sólida e esse é, talvez, o motivo principal de tantos protestos, em razão dos muitos recursos que lhe foram dados para gerir o plantel.

A gestão de Lopetegui, em relação ao plantel que apresenta mais e melhores soluções entre todas as equipas que compõem o mapa do futebol profissional em Portugal, tem sido um fiasco. Os sinais não são de agora. São praticamente desde que chegou ao Porto, com uma visão radical sobre a rotatividade e suas consequências. Não há um único jogador do FC Porto sobre quem se possa dizer que, através da sua orientação e preparação, passou a jogar muito mais do que o fazia anteriormente, debaixo da orientação de outro treinador. Nem Casillas nem Maxi Pereira jogam melhor do que jogavam antes, nem Danilo Pereira joga mais hoje no FC Porto do que jogava outrora no Marítimo, nem André André em relação ao V. Guimarães, nem nenhum outro jogador em comparação ao passado recente. Há casos de surreal desaproveitamento como Brahimi (tem qualidade para render muito mais noutro enquadramento colectivo) e Imbula (que desperdício!), e mesmo outros atletas que claramente podem dar muito mais, como são exemplos o próprio André André, Rúben Neves, Herrera, Corona e Tello, só para citar alguns, são vítimas do princípio segundo o qual é preciso meter muitos e não os melhores, em constância. É o que faz ter muitas escolhas e não saber em quem apostar. Aliás, Lopetegui tem uma característica muito embaraçosa para os interesses portistas: sempre que um jogador parece estar a ganhar raízes e, com elas, ‘forma’ física e psicológica e ainda confiança, Lopetegui tira-o da equipa. Não há nenhum conjunto à superfície da Terra que possa aguentar tantos ‘maus-tratos’. E pergunta-se: então como é que o FC Porto é líder da Liga portuguesa? Porque a qualidade dos jogadores ainda vai tendo algum efeito; porque o campeonato tem boas equipas mas não é um modelo de competitividade; porque o Benfica e o Sporting também têm os seus problemas. Contudo, a responsabilidade do FC Porto é muito maior: para ser campeão gasta quase tanto quanto o Benfica e o Sporting juntos. Apenas menos 10 milhões.

Já o disse uma ou duas vezes, no espaço público: o FC Porto tem uma grande solução para ‘atacar’ o futuro. Não apenas, no curto prazo, para substituir Lopetegui (é claramente um treinador a prazo) mas para ser o grande timoneiro do FC Porto, em termos gerais: André Villas-Boas (AVB). Estou perfeitamente convicto de que, numa primeira fase, poderia manter-se como treinador, uma vez que Pinto da Costa não parece estar, por vontade própria, perto da abdicação e, numa segunda fase, em condições de exercer o… cargo presidencial. AVB tem tudo para ser a imagem do ‘FC Porto moderno e de futuro’. Fica a ideia e a ‘proposta’.

Nota – Neste Sporting-FC Porto pode haver muito a tentação de jogar para o empate. Quem ganhar, aumenta muito as hipóteses de ser campeão.

Nota 1 – Se o clássico aquecer, Hugo Miguel vai ter dificuldades…

Jardim das estrelas (4)

Direitos televisivos

Não estou tão optimista quanto todos aqueles que ainda celebram, efusivamente, os acordos realizados entre os clubes e os operadores de telecomunicações (NOS e Altice/MEO), embora reconheça que ‘o estado de necessidade’ e o desequilíbrio nas contas das principais SAD do futebol português precisavam de um acontecimento (extra) desta natureza. Nenhuma dúvida que estes encaixes vão gerar, em cada emblema, uma maior folga, aliviando-lhes a pressão dos bancos, dos fornecedores e dos credores de uma maneira geral, mas os acordos agora realizados impõem novas responsabilidades de gestão. E é aí que residem todas as minhas dúvidas e preocupações. Em todo o processo, na cena pública, avulta um nome: Miguel Almeida (NOS).

O cacto

Pedro Proença 'finge de morto'

O ano de 2015 acabou e foi marcado pelas (ultra) tensões entre Benfica e Sporting, que ninguém institucionalmente referenciado consegue moderar. Podem ser atendíveis as razões (particulares) de Bruno de Carvalho e Luís Filipe Vieira, mas quem perde é o Benfica e o Sporting em muitas vertentes e o futebol português em geral. O ano acabou também muito mal para Pedro Proença, presidente da Liga. Pode ter muita vontade, pode queixar-se de pouco tempo de mandato, mas foi completamente ultrapassado e ‘passado a ferro’ neste processo dos direitos televisivos. Continuar a ‘fingir de morto’ não é solução, mesmo que neste momento continue a ter a bênção de Pinto da Costa. Quem fechou o ano debaixo de muita contestação foi o treinador-líder do campeonato, pelo menos até esta noite: Lopetegui. E por isso todas as atenções estão focadas nele… Salva-se?

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