Pressão alta

Rui Santos
Rui Santos

As bizarrias à volta do Sporting

Enquanto Sousa Cintra – e bem – está a fazer tudo para que o impacto negativo da inacreditável saga de loucura que Bruno de Carvalho protagonizou, progressivamente, num ritmo diabólico de autodestruição, nos últimos dois anos, seja mitigado na vida do Sporting, são preocupantes os sinais que emanam deste momento pré-eleitoral em redor do clube de Alvalade, com candidaturas a brotarem, a um ritmo singular, como se fossem cogumelos.

Parecem abelhas à volta do mel– e as danças e contradanças são tão intensas e tão criativas, ataques à memória e à coerência, que os protagonistas não parecem ter noção, nalguns casos, do ridículo em que caíram.

Os clubes e as SAD podem revelar grandes dificuldades de sustentação financeira mas, a avaliar pelo corrupio leonino, é fácil inferir que o protagonismo, as mordomias e os ordenados – o mel da colmeia – justificam a correria.

O caso mais evidente de desfuncionalidadeé o de Bruno de Carvalho. De um registo agressivo e descontrolado, a atingir tudo e todos, inclusive, num clímax de loucura, a própria equipa de futebol, ao ponto de levar os principais jogadores, numa primeira reacção, a querer desertar, o ex-presidente dos leões, insistindo que reúne condições para se apresentar a eleições, assume agora uma postura aparentemente cândida, amigável e não beligerante, tentando captar apoios numa dinâmica artificial, teatral e com foros de uma falsidade absoluta. A apresentação da ‘candidatura’ é mais um momento ‘fake’, de uma ‘grandeza’ fabricada, com ruído (sempre o ruído) a querer dar uma ideia de dimensão que já não existe, com adeptos a perturbar o trabalho dos jornalistas e com o inviável candidato a fazer o papel de bonzinho.

As agora reveladas comunicações entre André Geraldes e Bruno de Carvalho, a dar conta de incentivo às claques (…) "para cima dos jogadores", parecem ser o rastilho e a luz verde para o assalto à Academia. As combinações entre os invasores, no sentido de quem bate em quem, são feitas num registo de autonomia e à-vontade que nunca seriam acolhidas se não tivessem sido criadas as condições para potenciar a intervenção da claque. O normal seria exactamente o contrário, isto é, Bruno de Carvalho e André Geraldes trocarem mensagens no sentido de travarem ou estugarem o passo a manifestações de pressão, coacção ou mesmo de ameaças de violência física.

É também por isto que Bruno de Carvalho pode estar bem mais perto de uma detenção do que da reocupação do lugar de presidente.

No fenómeno de desagregação à volta de Bruno de Carvalho e de quase tudo o que lhe está relacionado, reside basicamente um problema de imagem e de identidade do Sporting. O Sporting, por causa das atitudes do ex-presidente e de quem se quer perfilar como alternativa, sangra abundantemente, de tantas e tão incontroláveis hemorragias.

As figuras do ex-Conselho Directivo que estiveram ‘até ao fim’ com Bruno de Carvalho nunca souberam fazer a leitura política de uma situação insustentável e alimentaram, até ao limite, o desgoverno do regime. De repente, e depois da destituição, é vê-los a fazer a demarcação estratégica de Bruno, que dá para tudo, inclusive para reassumirem a sua condição de ‘amigos’, com Carlos Vieira a ter o descaramento e o atrevimento de apresentar uma ‘candidatura’, afirmando que o ex-presidente não tem espaço na sua propositura.

Figura lamentável tem feito, igualmente, Elsa Judas, que defendeu o indefensável através da constituição de um órgão também ‘fake’ e se queixa, agora, de traição. Traído tem sido o Sporting, com muita gente a usar e a abusar do seu nome. Por motivos que dizem mais respeito à exaltação do protagonismo do que propriamente na defesa da integridade do clube leonino. São as bizarrias à volta do Sporting, que lhe estão a dar muito má fama e custos de reputação.

Frederico Varandas tem a grande vantagem de conhecer o Sporting na sua dimensão mais importante e exclusiva (o balneário) e de não se ter embrenhado, antes, em ‘lutas palacianas’. Reconhece méritos e deméritos no anterior presidente. E sabe que, na proposta de unir – ser o presidente de todos os sportinguistas –, corre o risco de ter de lidar com um ‘saco de gatos’. As outras ‘candidaturas’ (com aspas e sem elas) ainda parecem muito verdes. Demasiado verdes.

* Texto escrito com a antiga ortografia

JARDIM DAS ESTRELAS 
*** 
Gedson tem 'pinta'


A bola começa a saltar e há muita expectativa em relação aos muitos reforços do Benfica. Não há certezas de que o ‘problema da baliza’ esteja resolvido com Vlachodimos e, no eixo da defesa, muito cedo para se perceber se Conti e Lema se vão afirmar e vencer a concorrência da época passada (Jardel e Rúben Dias). É mesmo muito cedo e, pelo investimento, é bom que Ferreyra e Castillo sejam as soluções certas para o ataque. João Félix tem, de facto, grande potencial e uma enorme margem de progressão, mas, para já, foi Gedson quem me chamou mais à atenção, no ‘miolo’. Tem ‘pinta’!

O CACTO - Basta!

A invasão de membros de uma das claques do Sporting (Juve Leo) à Academia de Alcochete e o processo que está em curso, a motivar até ao momento em que escrevo 36 prisões preventivas, mostram as relações promíscuas e potencialmente perigosas entre clubes de futebol (neste caso, o Sporting) e as claques, às quais lhes foi dado, aberta ou encapotadamente, um poder inusitado. Sabe-se agora, mais em concreto, através de notícias publicadas na imprensa, aquilo que já todos percepcionávamos, isto é, mensagens trocadas entre responsáveis (Bruno de Carvalho e André Geraldes) a fomentar a coacção de claques sobre os jogadores. Independentemente da punição (imperativa) dos autores materiais e morais, o que está em causa é o desmantelamento das claques sob o conceito em que há muitos anos andam a operar, com a complacência dos diversos governos da República e dos presidentes dos clubes. As claques há muito que deixaram de fazer parte do espectáculo como elementos que lhes poderiam dar cor e animação, num clima festivo e de fomento do fair play, para serem corporações de violência e terror – e fautores de diversos crimes. É que assim os autores morais não se confinam aos que incitam à violência. São também todos aqueles que continuam de braços cruzados e, depois, vêm lamentar os distúrbios, as agressões e as invasões. Basta!

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