Benfica com Rafa é mais candidato

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O Benfica garante o concurso de Rafa e fica mais forte para atacar a conquista do tetracampeonato. É uma grande aquisição.

O Benfica e Luís Filipe Vieira não quiseram saber se, neste momento, Rafa ‘cabe muito’ ou ‘cabe pouco’ no ‘onze’ dos encarnados. Essa discussão não interessa para nada, porque um jogador com a idade (23 anos) e os talentos de Rafa tem de caber. Ou nas faixas ou atrás do ponta-de-lança, isso é uma coisa que diz respeito à gestão que Rui Vitória terá de fazer, e certamente o treinador estará satisfeitíssimo em poder contar com mais uma opção, que lhe aumenta exponencialmente as hipóteses de renovar o título.

Percebe-se que o plantel do Benfica está em obras e manobras e que não é, deixou de ser, uma carta fechada.

Há vários jogadores que estão de saída (Luisão, Salvio, Talisca e Samaris, por exemplo), mas repare-se – eles estão de saída porque se criaram, entretanto, as condições necessárias para poderem sair e garantir, na maior parte dos casos, verbas significativas para os cofres do clube da Luz.

O crescimento de Jardel (ainda com Jesus no Benfica) e a afirmação de Lindelöf, mais os sinais positivos dados por Lisandro López, e ainda a aposta no jovem Kalaica, reduzem o impacto do ‘fim’ da ‘era Luisão’. Uma ‘era’ que, no entanto, prova como é importante para um clube poder dispor de jogadores de referência. Os atletas-líderes, dentro e fora do campo, são muito importantes para a identidade, para a imagem e para a estabilidade. E Luisão foi esse tipo de jogador na Luz.

Salvio também já teve o seu tempo no Benfica e as lesões também contribuíram para que se tornasse mais difícil a reafirmação. O caso de Samaris é paradigmático sobre a forma de preparação da saída de um jogador, que deixa de ser vital na perspectiva do treinador e da administração. A confiança em Fejsa, o aparecimento de André Horta e outras soluções emergentes no plantel fazem com que o Benfica encare estas situações sem drama.

O Benfica parece estar confortável e não há dúvida de que, em Portugal, lidera a abordagem ao mercado. Tudo isso tem muito a ver com a veia para o negócio de Luís Filipe Vieira, à qual se junta agora, de uma forma mais expressiva, o produto da aprendizagem e as conclusões sobre os erros cometidos durante muitos anos. É preciso, contudo, ter algum cuidado com a voragem dos negócios e o que eles significam em toda a sua extensão e realidade, porque o FC Porto, quando também pareceu confortável e ‘superior’ na abordagem do mercado, apostou num conjunto de operações que, pelo seu custo, acabaram por reduzir (sem que houvesse essa percepção, na opinião pública e publicada) o efeito das contratações e dos seus anunciados montantes.

Nem tudo é ainda muito claro nestas operações e o Benfica está, confessadamente, a querer reduzir passivo – e isso é o mais importante. No final, o sucesso de Vieira será cantado se conseguir êxito desportivo com redução de passivo.

Neste caso da contratação de Rafa, o presidente do Benfica impediu que o internacional português reforçasse o FC Porto e ‘venceu’ o braço-de-ferro com Pinto da Costa. Isso tem um significado político de grande relevância, quando o Benfica possui o objectivo de consolidar a sua posição hegemónica no futebol português.

O Benfica demonstrou que é poder, demonstrou que está mais forte onde o FC Porto dominava e isso não pode deixar de ser contabilizado.

Todo o processo foi conduzido no sentido de deixar passar a ideia de que o FC Porto ia conseguir o concurso de Rafa, os protagonistas e os interessados fizeram tudo no sentido de não dar a ideia de que havia um favorito neste negócio, mas considerando os ‘players’ – se o argumento não fosse essencialmente dinheiro – não custava muito a perceber que o favorito era o Benfica. E isso decorre muito das relações entre Luís Filipe Vieira, Jorge Mendes e António Salvador. Ter Mendes ‘na equipa’ vai-se revelando muito importante, e o FC Porto, neste momento, é muito vítima disso…

Já com Cervi e Carrillo, no embate com o Sporting, o Benfica deu sinal de que quer e pode estar por cima. Não deixou que Cervi fosse para Alvalade e acabou por garantir Carrillo. O Benfica gera soluções e impede que essas soluções reforcem os seus principais adversários.

Quer dizer: o Benfica está forte e, com Rafa, reforça a sua candidatura ao título. Se o FC Porto não passar a Roma, aquele que ainda é o principal adversário dos ‘encarnados’ – o Sporting está a fazer o seu caminho… – ficará numa situação muito frágil. A forma como (não) resolveu os problemas do plantel não pode dar saúde a Nuno Espírito Santo.

Vieira é hoje um problema para Pinto da Costa como Pinto da Costa foi, durante anos, um problema para Vieira. E porquê? Porque Vieira reforçou a sua posição interna e externamente e, no mercado, está mais forte.

O ‘vieirismo’ começa a aproximar-se da sua expressão máxima. Em ano de eleições. Quando Pinto da Costa se aproxima da sua expressão mínima e Bruno de Carvalho faz o seu tirocínio.

JARDIM DAS ESTRELAS - ****

Bruno de Carvalho posto à prova

O presidente do Sporting (BdC) está a ser posto à prova, relativamente aos ‘ataques’ a que alguns dos jogadores do plantel leonino estão a ser submetidos. Há uma nova realidade em Alvalade. Na época passada, o Sporting lutou pela conquista do título até ao fim, jogando um futebol mais exigente e competitivo e de maior qualidade, fazendo realçar um meio-campo de categoria (W.Carvalho-Adrien-J. Mário), ‘miolo’ esse que teve papel crucial no êxito de Portugal no ‘Europeu’. A necessidade do SCP em vender não deve ser confundida com facilitismos vários e tem-se visto que BdC recusa ceder, se não forem defendidos os interesses de um clube que parece ter-se fartado de ter a fama de formar jogadores, sem disso tirar o devido rendimento – desportivo e financeiro. Vamos ver como acabam os dossiês João Mário e Slimani, mas os sinais são positivos. Vender, sim, mas vender bem, o que no caso do SCP – por diversas razões – não é tarefa fácil.

O CACTO

A gratidão de Pinto da Costa

Uma semana difícil para o FC Porto: um empate em ‘casa’ com a Roma não o afasta da fase de grupos da Champions, mas é de elementar compreensão que a bola, agora, está do lado dos romanos. Mais do que o resultado, preocupante foi a entrada em jogo e o rendimento na primeira parte. A mudança para o 4x4x2, a aposta em Adrian López, o deslize de Casillas e, até ao momento da expulsão de Vermaelen (41’), o FCP dava sinais de grandes dificuldades: pouco equilíbrio nas acções defesa-ataque e particular permeabilidade a defender. A reacção foi positiva, mas o mal estava feito… Não havia Depoitre, não havia Aboubakar nem Brahimi, um ‘banco’ curto, e isto prova que a ‘estrutura’ não é o que era… A tarefa de Nuno Espírito Santo é difícil, porque esbarra numa ‘estrutura’ que já não funciona e à qual o líder Pinto da Costa está ‘agarrado’, por gratidão… Uma gratidão que neste momento sai em prejuízo do FCP. A perda de Rafa é apenas mais um sinal de que as coisas não vão bem no Dragão. E não é de agora, como se sabe.

* Texto escrito com a antiga ortografia

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