Benfica-FC Porto, ai de quem perder...
O FC Porto tem de ganhar na Luz e o Benfica não pode perder o ‘clássico’ – eis o resumo daquilo que é essencial para as duas equipas, se cada qual quer ficar numa posição de vantagem para o resto do campeonato. Vamos então olhar para as três equipas que entrarão esta noite no palco da Luz:
BENFICA
Não está num grande momento de forma. Quando a forma individual não está no topo — a realidade, neste momento, na equipa da Luz — a forma colectiva ressente-se. O maior problema do Benfica não é, evidentemente, o modelo táctico, consolidado há 8 anos (!); é o facto da maior parte dos jogadores a poder fazer a diferença e se esperava que fizessem efectivamente a diferença, os que jogam de fora para dentro do meio-campo para a frente, como são os casos de Salvio, Zivkovic, Rafa, Carrillo, Cervi não estarem a fazer essa tal diferença. Porque nenhum se afirma, acaba por haver mais rotatividade nessas posições e a equipa perde solidez (com fluidez) nos movimentos. A juntar a isso, esta não tem sido a época de Jonas (lesões condicionam o apuramento da condição física) e a equipa está muito pendurada em Pizzi, que não tem tido substituto à altura. André Horta tem grandes pormenores mas falta-lhe estaleca para ser ‘patrão’ e, neste momento, pode dizer-se que FIlipe Augusto foi flop, porque (não) tem feito na Luz aquilo a que já nos vinha habituando noutros clubes: estar lesionado. Acrescem os factos de haver jogadores com pequenas mazelas (Lindelöf e, sobretudo, Fejsa) e o desgaste relativo às andanças das Selecções, mas aqui não me parece que seja um argumento vital.
Há outros factores, contudo, que podem ser decisivos, desde logo o fortíssimo apoio dos adeptos e ter nas mãos a prerrogativa da escolha estratégica: na Luz, o Benfica e Rui Vitória têm de assumir o jogo, partir ‘para cima’ do FC Porto, sem nunca pensar que um empate os deixa na condição de líder e que, por isso, é suficiente. Repito: um empate pode não ser um bom resultado para o Benfica e é deixar para amanhã aquilo que se pode ‘resolver’ hoje. Estará o Benfica mental e fisicamente em condições de colocar máxima exigência neste jogo?
FC PORTO
Se a melhor forma individual e colectiva, só por si, ganhasse os jogos, diria que o FC Porto seria o grande candidato a ganhar o ‘clássico’ na Luz. A defesa e o processo defensivo, no qual Danilo tem um papel relevante, estão estáveis e consolidados e Nuno Espírito Santo achou em André André e Óliver a dupla capaz de alimentar, na frente, Soares e André Silva, com o apoio de um recuperado (e mais enturmado) Brahimi. O crescimento do FC Porto tem a ver com a contratação e a entrada de Soares para o eixo ofensivo e com a consolidação do processo colectivo. Estes são os pontos a favor. Contra: a equipa ainda não cresceu mentalmente ao nível de uma equipa forte, como se viu no Dragão no jogo com o V. Setúbal. A equipa vai muito pressionada (pela obrigação de NÃO FALHAR) e vai encontrar um ambiente hostil, não obstante a mobilização dos seus adeptos, sob a batuta dos Superdragões. Estará a equipa preparada para ser forte, mandona e eficaz num ambiente de máxima pressão, a qual se deve juntar a interna, uma vez que o FCP ‘não pode’ estar quatro anos seguidos sem conquistar o título? Esta é a grande questão.
ARBITRAGEM XISTRA
Lancei, publicamente, no domingo, o nome de Carlos Xistra, um nome nunca antes alvitrado. Confirmou-se quatro dias depois. Não é assumido oficialmente mas já se vê que o CA descartou a hipótese Artur Soares Dias. Por várias razões, uma das quais tem a ver com o facto de ter sido protagonista do caso das ‘ameaças de morte’, no centro de treinos na Maia. Era uma questão de elementar bom-senso. Com Jorge Sousa a contas com uma lesão, ficavam de fora os dois melhores árbitros portugueses. Dentro do quadro de internacionais, os mais experientes: Carlos Xistra e Hugo Miguel. Temos a garantia de uma grande arbitragem? Não. Tem Xistra o perfil certo para um encontro desta responsabilidade? Também não. Mas, convenhamos, no caso das hipóteses — não se querendo enveredar por um árbitro estrangeiro — não havia muitas mais, considerando que, no quadro dos internacionais mais jovens:
a) Fábio Veríssimo não tem tido uma época feliz;
b) Tiago Martins e João Pinheiro têm estado demasiado expostos;
c) Luís Godinho (ainda) não tem ‘pedalada’ para estes ‘infernos’.
Conclusão: nem Benfica nem FC Porto se movimentaram para isso, mas este era o jogo certo para ser dirigido por um árbitro estrangeiro.
Em síntese: quem for MENTALMENTE mais forte, num jogo carregado de condicionantes emocionais, dentro e fora do campo, será o vencedor e, provavelmente, aqui chegados, o vencedor deste campeonato.
* Texto escrito com a antiga ortografia
JARDIM DAS ESTRELAS (1 estrela)
Bruno de Carvalho
-- e o pacto com o diabo?
Vai para aí uma grande confusão com os castigos impostos pelo Conselho de Disciplina, presidido por José Manuel Meirim, agravada com as mais recentes declarações prestadas por Bruno de Carvalho à TVI. O presidente do Sporting queixa-se de estar a ser vítima de métodos pouco democráticos e que tudo o que vem dizendo na praça pública se enquadra naquilo que a Constituição lhe confere — o direito à liberdade de expressão. Errado. Podemos contestar o princípio, e eu também vejo nele claros atropelos aos direitos fundamentais dos cidadãos e das colectividades que representam, mas esse foi o pacto a que os clubes se comprometeram, quando aceitaram competir debaixo dos regulamentos, das normas e das instruções da FPF e da Liga, enquadradas nos respectivos regimes jurídicos que são formas de legitimação e, como se sabe, merecem a ‘supervisão’ da UEFA e FIFA. É uma espécie de ‘pacto com o diabo’, mas ele existe, para o bem e para o mal. E um dos pressupostos, que em muitas circunstâncias — dependendo da interpretação — entra em choque com liberdade de expressão, tem a ver com a aceitação formal de que, em nome da protecção do futebol e da sua organização/negócio, os agentes desportivos não podem ou não devem — sendo punidos, quando isso acontece — lesar a honra ou a reputação de outros agentes desportivos ou quem tem o dever de proteger a integridade das competições.
Temos pena, é a vida. Enquanto houver FIFA e UEFA e enquanto houver estas normas e regulamentos, Bruno de Carvalho e outros presidentes ou dirigentes podem ir para todos os ‘tribunais europeus’ queixarem-se de inconstitucionalidades que estarão sempre sujeitos a levar com o ‘pacto’ na cara. Desconfio que vêm aí (muitos) mais castigos…
