Benfica nunca teve tanto a favor

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DÉRBI NA COMPONENTE DESPORTIVA

Benfica e Sporting encontram-se hoje na Luz num contexto muito especial.

Desportivamente, o dérbi realiza-se no começo da temporada e, considerando o que está a acontecer ao clube de Alvalade, em processo de transição para um ‘novo ciclo’, esse facto, em tese, beneficia o Benfica.

Como beneficia o Benfica a verificação de ter uma equipa muito mais consolidada, com o mesmo treinador e alguns reforços, entre os quais o maior de todos é, surpreendentemente, um dos jogadores da sua Formação - Gedson Fernandes. O Sporting tem um novo técnico (José Peseiro), com ideias diferentes das que professava Jorge Jesus, os reforços (Diaby, Gudelj e o lesionado Sturaro) não estão em condições de se apresentar na Luz, sendo que Raphinha ainda procura o seu espaço de afirmação. É claro que há outro tipo de ‘reforços’ (Bruno Fernandes, Battaglia e Bas Dost) - e veja-se o que seria, neste momento, da equipa ‘leonina’ se não contasse com estes três jogadores, sendo que o holandês não está a 100 por cento…

O Benfica ainda tem pontos de interrogação (Vlachodimos é o guarda-redes que vai fazer esquecer Ederson? Os centrais Conti e Lema são mesmo reforços? Jonas, Ferreyra e Castillo vão ser soluções compatíveis na zona do ponta-de-lança? Qual a razão para a não afirmação de Rafa?), mas os que assaltam o Sporting são ainda maiores (a defesa, pelas laterais, não se vai ressentir das trocas de Piccini e Coentrão, por Ristovski e Jefferson? Quanto tempo vai demorar a encontrar a solução definitiva no eixo central do meio-campo, no espaço compreendido entre o ‘6’ e o ‘8’, sendo que Petrobvic e Misic parecem ser recursos ‘de segunda’? Alguma das hipóteses mais evidentes [Jovane, Mattheus Pereira…] têm o nível de Gelson? Quem vai ser a alternativa a Bas Dost?).

Benfica joga em ‘casa’ e, embora venha de um resultado menos positivo (empate com PAOK), parece mais bem apetrechado no binómio qualidade/nível de preparação. Seria, pois, uma grande surpresa os ‘encarnados’ não aproveitarem um contexto que não era assim tão favorável há um bom par de anos… N o passado recente, nunca teve tanto a favor, embora o Sporting tenha sempre uma palavra a dizer. Dérbi é dérbi.

DÉRBI NA COMPONENTE INSTITUCIONAL

Institucionalmente, correu muita tinta a anunciada presença de Artur Torres Pereira, Sousa Cintra e Jaime Marta Soares na tribuna do Estádio da Luz para assistirem ao dérbi.

Alguns dos candidatos à presidência do Sporting indignaram-se. Que não podia ser, etc. etc.

Ao contrário de muitas vozes que tenho ouvido e registado, faz muito bem a Comissão de Gestão em marcar presença na tribuna da Luz.

É preciso, de uma vez por todas, não confundir rivalidades e desencontros de posições com deveres institucionais.

Se cada vez que dois clubes denunciarem antagonismo ou divergência de tomadas de posição em relação a esta ou aquela matéria, a solução for não marcar presença nos jogos, então não sairíamos disto.

Os clubes não precisam de ser amigos ou terem boas relações para os seus dirigentes assumirem o dever de representação institucional. É preciso não confundir as coisas. As relações até podem ser más e as coisas, neste plano, não deveriam mudar. Não é preciso fazer como Rui Pedro Soares que, no jogo com o FC Porto, no Jamor, quando o campeão nacional marcou, só faltou o presidente da SAD dos azuis de Lisboa saltar para o colo de Pinto da Costa. Nem tanto ao mar nem tanto à terra.

DÉRBI NA COMPONENTE ELEITORAL

O Sporting vai à Luz em plena corrida eleitoral e debaixo dos efeitos de uma primeira sondagem de opinião que dá Frederico Varandas e João Benedito na dianteira, relegando Ricciardi para um resultado pouco impactante. Creio que este resultado, valendo apenas o que vale, é já o impacto da escolha do banqueiro em relação ao futebol. A impopularidade de José Eduardo (JE) junto da comunidade leonina é algo que não se pode desprezar, e isso deve-se à percepção de que o envolvimento de JE nas coisas do SCP teve sempre uma motivação negocial. Para quem não quer ser confundido com croquetes, é erro de monta requisitar os serviços do fornecedor dos ditos cujos. Erro crasso e fatal para quem reivindica capacidade de liderança. Há alguma coisa muita errada quando José Maria Ricciardi tem de chorar para conseguir o concurso de José Eduardo para a liderança do futebol…

JARDIM DAS ESTRELAS - Rúben Dias merece atenção

Discutido e polémico, pela sua forma de actuar em campo, Rúben Dias esteve nas bocas do mundo e muito se falou da sua eventual venda pelo Benfica. A renovação de contrato é um sinal de confiança que o jovem central dos ‘encarnados’ fez por merecer. A defesa (ainda) precisa dele.

O CACTO - Baganha? E… os outros?!

No Desporto, os corredores político-partidários são conhecidos por serem demasiado compridos, o que faz com que haja a percepção pública de que, quando estão em causa importantes e, sobretudo, rápidas decisões, raramente se chega a algum lado. O Desporto, em Portugal, embora pareça, não é só Futebol, mas nunca tantas vezes, nos últimos tempos, a intervenção do Estado foi reclamada, inclusive por altos dignatários do ‘movimento associativo’, que deram uma alarmante ideia de urgência mesmo que estivessem em causa as suas autonomias. O tema das claques há muito que tem sido mal tratado. Pelos clubes (muito responsáveis pelos excessos), mas também pelo Estado que demorou uma eternidade para reagir a tantas e tão gravosas situações de atropelo às liberdades individuais e sociais. Sabe-se agora que o Governo se prepara para demitir o presidente do IPDJ, Augusto Baganha, e a sua Direcção, na sequência da criação da Autoridade Nacional contra a Violência no Desporto. Espera-se que este organismo actue em conformidade no sentido de passar a ser NORMAL que qualquer cidadão possa frequentar recintos desportivos, com as suas famílias, sem correr o risco de ser agredido ou mal tratado. Esta ausência de eficácia no tratamento de ‘claques legais’ e ‘claques ilegais’, anulando-se a diferenciação, é uma ofensa à sociedade e aos contribuintes. O que aconteceu em Academia é, também, da responsabilidade indirecta de outros poderes, pelo que a demissão de Baganha é insuficiente. Cadê… os outros?

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