Pressão alta

Rui Santos
Rui Santos

Erros de Rui Vitória têm peso na Europa

Está na ordem do dia a forma como o Benfica não conseguiu carimbar, em Istambul, o acesso aos oitavos-de-final da Champions, depois de ter estado a vencer, ao intervalo, por 3 golos de diferença. Houve críticas à forma como o treinador mexeu na equipa e isso transporta-nos para o jogo em Nápoles, onde a acção de Rui Vitória também não se revelou certeira. No próximo dia 6 – na ‘final’ entre o Benfica e a equipa napolitana – apurar-se-á qual o peso dos erros do treinador ‘encarnado’ na campanha europeia, mas uma coisa parece estar a revelar-se como um padrão de comportamento dos campeões nacionais, na ‘era Rui Vitória’: a equipa revela uma mentalidade competitiva muito interessante perante adversários de evidente menor qualidade, mas, quando a exigência sobe, é raro o Benfica conseguir alcançar um grau de eloquência exibicional compatível com as ambições definidas e traçadas pelo clube.

Rui Vitória vai completar 70 jogos ao serviço dos encarnados no próximo domingo, frente ao Moreirense, e, neste momento, ninguém pode dizer que o treinador dos encarnados não está a cumprir.

Em 15 meses e meio, Rui Vitória conquistou o título de campeão nacional (objectivo máximo garantido), a Taça da Liga e a Supertaça, tendo sido eliminado, na Champions (na época passada), pelo Bayern, nos quartos-de-final da prova, começando a construir a ideia de que não eram necessários fundamentalismos em relação aos recursos do plantel para se conseguir uma boa gestão, com resultados nas frentes principais.

É preciso notar que, neste momento, em jogos oficiais, Rui Vitória leva 76,8% de vitórias, mas também deve ser sublinhado que, para uma percentagem tão elevada de triunfos, muito contribui um aspecto que não deixa de ser um traço de personalidade deste Benfica, que corresponde a não baquear e a não se deixar ‘embalar’ perante equipas teoricamente mais fracas. Só uma vez isso aconteceu (com o Arouca, D. 0-1, no começo da época passada). Quais foram as outras 9 derrotas de Rui Vitória ao serviço dos ‘encarnados’? Estas:

Quais foram, então, as conquistas mais impactantes do Benfica de Rui Vitória, nestes 15 meses e meio à frente da equipa? Estas:

Não perder (muitos) pontos contra equipas acessíveis também é muito importante para o sucesso de uma equipa ‘grande’ como o Benfica e não se deve relativizar esse mérito. Contudo, por aqui se vê que, juntando resultado e exibição, o grande jogo que o Benfica fez – na ‘era Rui Vitória’ – foi em Madrid, perante o Atlético. Excelente resultado combinado com excelente exibição. Acresce que, nos ‘clássicos’ com FC Porto e Sporting, o ‘Benfica de Rui Vitória’ regista 5D, 1E e só 1V (frente aos leões), tendo revelado muitas dificuldades, como no último jogo no Dragão.

É preciso não esquecer que, esta época, o Benfica tem tido diversas contrariedades – muitos jogadores lesionados – e Rui Vitória nunca disso fez um drama, encontrando soluções interessantes para a equipa. Vitória impôs Ederson, Nélson Semedo, tem hoje 4 ‘centrais’ prontos para todo o serviço (não deixando que Luisão se transformasse num ‘caso’…), fez crescer Grimaldo e, não podendo contar com Jonas, tem gerido muito bem essa situação, optimizando os recursos oferecidos, nomeadamente por Gonçalo Guedes. O único jogador que está aquém do esperado é Carrillo, uma vez que Mitroglou não tem dado grandes hipóteses a Jiménez.

Todo este arrazoado para dizer que Rui Vitória, independentemente do bom trabalho que está a realizar no Benfica e dos troféus e resultados que vai conquistar, tem pela frente um grande desafio: impor-se também nos grandes jogos. Em Istambul, aqueles 60 minutos iniciais de grande fulgor – do melhor que se viu esta época – prometeram um Benfica nessa (máxima) dimensão, mas os últimos 30 evidenciaram uma equipa sem personalidade. E para isso muito contribuiu Rui Vitória, com substituições nada felizes. A saída de Cervi pareceu mais corresponder ao desejo de ver Rafa em campo do que a uma necessidade táctica indiscutível, até porque Cervi estava a cumprir muito bem no plano da acção defensiva. E tirar Gonçalo Guedes para fazer subir Pizzi e colocar Samaris perto de Fejsa ainda contribuiu para desequilibrar mais a equipa. Conclusão: Rui Vitória – no Benfica – ainda está a apre(e)nder.

Jardim das estrelas - Última jornada tudo decide

… E vão 20 jogos realizados por 4 equipas portuguesas nas fases de Grupo da Liga dos Campeões e Liga Europa. Balanço: 30% de vitórias (2 do Benfica, 1 do Sporting, 2 do FC Porto e 1 do Sp. Braga). Até agora, o Benfica ficou aquém das expectativas na ‘operação Besiktas’ (2 empates… a saber a muito pouco), o FC Porto, que beneficiou do melhor sorteio, também deixou tudo para o fim e custa a entender como não consegue vencer nenhum dos jogos com o Copenhaga; o Sporting está fora da Champions e em risco na Liga Europa, mas mostrou credenciais (não perdeu por mais de um golo de diferença perante Real Madrid e Borussia Dortmund) e o Sp. Braga está a fazer uma prova nem muito boa nem muito má. É importante que a última jornada sorria às equipas portuguesas. Caso contrário, um problema…

O cacto - Barbaridade conveniente

Uma inverdade repetida muitas vezes transforma-se frequentemente em insofismáveis realidades e, no futebol, os muitos interesses em jogo fazem com que isso aconteça — como é o caso do não aproveitamento de Jorge Jesus em relação aos jogadores da formação do Benfica. Vem isto a propósito das recentes declarações de Bernardo Silva ao ‘L’Équipe’, lamentando o facto de não ter tido mais oportunidades e se ter treinado com o plantel mas a… defesa-esquerdo. Uma pergunta para o Bernardo: se fosse treinador, mesmo que tivesse à disposição uma espécie de ‘Messizinho do Seixal", tiraria a titularidade a Gaitán e colocava-o no ‘banco’? É preciso olhar para a conjuntura, antes de se dizerem ‘bernardidades’, perdão, barbaridades… convenientes.
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