FC Porto agradece 'guerra' Benfica-Sporting

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Em 2016, o tema das arbitragens vai subir de tom. O Benfica precisa de revalidar o título para provar que, sem um treinador liderante e com uma estrutura activa, é possível obter resultados desportivos, num ano de eleições e num ano de afirmação do 'vieirismo' mais radical. O FC Porto, em contraciclo com a necessidade de alguma retracção, continua a gastar acima das suas possibilidades (em 2014-15, com pessoal gastou mais 10M€ em relação ao Benfica e mais 45M€ em relação ao Sporting!), e precisa urgentemente de 'quebrar os rins' à dinâmica de recuperação do clube da Luz, para validar o processo de aposta no treinador que achou capaz de operar a 'revolução' (Julen Lopetegui).O Sporting, na tentativa quase desesperada de impedir que FC Porto e Benfica protagonizem um fenómeno de bipolarização no futebol português (é bom não esquecer que, no campeonato, o último título conquistado pelos 'leões' foi há 13 temporadas, ao longo das quais o FC Porto ganhou 9 vezes e o Benfica 4…), fez uma aposta arriscada, contratando um treinador caro (Jorge Jesus) para, com ele, dar um sinal de que tem uma palavra a dizer na alternância de títulos, na prova mais importante do calendário futebolístico indígena.

Os três principais clubes portugueses estão, por isso, muito pressionados e a passagem de Jorge Jesus do Benfica para o Sporting amplificou a dimensão da dúvida e da (in)capacidade de resposta, tornando o ambiente do futebol português quase abjecto e irrespirável.

A recente intervenção de Luís Filipe Vieira, após o Benfica-Rio Ave, em que falou de "escândalo" na arbitragem, prova duas coisas: que a tolerância e o silêncio em relação ao desempenho dos árbitros na época passada eram sinais de satisfação perante o nomeador e os nomeados e que, em caso de disrupção classificativa, lá vem - igualzinho a outros momentos - o discurso da vitimização e as pressõezinhas da ordem. Nada de novo. Neste particular, os presidentes e os dirigentes dos clubes confessam-se muito diferentes mas são todos muito iguais.

A arbitragem portuguesa não está a atravessar um bom momento. Agora, com o fim de ciclo de Pedro Proença, vivemos a 'fase zero' da arbitragem. Não temos sequer um árbitro excepcional e o recente desempenho de Jorge Sousa no Nacional-FC Porto, com dois erros brutais, piorou ainda mais as coisas. Era muito difícil prever que Jorge Sousa - o nosso melhor árbitro da actualidade - saltasse para o topo da polémica, num momento de grande contestação a Lopetegui… Não obstante esta verificação, os clubes - pressionadíssimos - queixam-se sempre muito acima da realidade. Tem havido erros, é certo, muitos erros mesmo, mas feitas as contas os prejuízos e benefícios têm sido repartidos. A ver vamos como será doravante.

Uma coisa é certa: no meio do ruído lisboeta, o FC Porto chega ao final do ano em primeiro lugar, depois de Benfica e Sporting terem desperdiçado pontos perante uma das equipas mais fracas deste campeonato (União). O FC Porto, com o melhor plantel entre todos, não consegue apresentar um futebol absolutamente convincente, à medida dos recursos que possui, e não precisou de fazer muito para saltar para a liderança do campeonato. Aliás, bastaria ao FC Porto não ter tido um treinador capaz de complicar o que é fácil para poder estar numa posição mais desafogada. De resto, o FC Porto beneficia há muito de uma conjuntura extremamente favorável e que tem sabido aproveitar ao máximo: as dissensões entre Benfica e Sporting, agora agudizadas pela visão radical de Bruno de Carvalho, demasiadas vezes assaltado por uma sanha antibenfiquista muito pouco racional. Benfica e Sporting não percebem que, quanto mais afastados estiverem, melhor para o FC Porto. Mesmo no limite do risco na gestão financeira; mesmo com um treinador desequilibrado e, ele próprio, amante do risco, o FC Porto lá vai levando a água ao seu moinho. É um mérito muito alavancado por esta 'verve suicida' de Benfica e Sporting.

NOTA - O ano de 2016 vai continuar a ser muito difícil para os portugueses e, para encarar as dificuldades, não há outra forma senão encará-las com coragem e determinação. A coragem de identificar, no recreio da política e do sistema bancário/financeiro, quem nos levou à actual situação, colocando os olhos - em termos de consequências - no exemplo islandês. Temo que, no plano desportivo e futebolístico, 2016 seja um ano particularmente tenso e até dramático, porque após um fim de 2015 de tanto ruído, com queixas e acusações várias, a factura vai ser grande para os derrotados. E nesse sentido não vão faltar manobras de diversão, toneladas de propaganda barata e muita desresponsabilização. Porque é possível que aumentem as manobras para se ganhar a qualquer preço e porque vão aparecer muitos bodes expiatórios. Apertem os cintos!


Texto escrito com a antiga ortografia




JARDIM DAS ESTRELAS

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Patéticos

Blatter e Platini estrebucham, mas já passaram à história do futebol europeu e mundial. Por mais que queiram, nunca mais serão capazes de justificar o acordo que fizeram e o fundamento para a transferência (infantil) de fundos (2M de francos suíços) para a conta do francês, em 2011, por serviços prestados entre 1999 e 2002. A mais recente explicação de Blatter é patética: "Platini disse-me que era muito caro…"

É bom ter a noção de que a falência moral da FIFA só se tornou possível no âmbito da intervenção dos Estados Unidos neste processo. A falência moral da FIFA é a falência de todo o sistema de organização do futebol e de todo o tipo de relações que fomenta e estabelece. O sistema está altamente corrompido e é preciso limpá-lo. Patética foi também a convicção, ao mais alto nível, que a FIFA - colocando os Estados soberanos e os menos soberanos - literalmente no bolso estava protegida de qualquer 'ataque externo'. No meio de tanta sofisticação, custa a acreditar que o erro capital tenha sido uma patetice.

O CACTO

Bruno rebenta?

Fim de ano muito difícil para o presidente do Sporting, Bruno de Carvalho. Os leões estão a fazer um bom campeonato, mas a derrota no Funchal, perante o União, não apenas lhe fez perder a liderança, como atenuou o efeito do empate benfiquista no mesmo campo, uns dias antes. Para piorar as coisas, a sentença do TAS em relação ao 'caso Doyen'. O leão inchou e, agora, Bruno de Carvalho tem a tarefa e a responsabilidade de… não rebentar. Será capaz?

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