Rui Santos
Rui Santos

FC Porto-Benfica não apenas um 'clássico'

Sérgio Conceição fez uma destrinça interessante, ontem, no lançamento do clássico, entre falar de futebol e falar do futebol.

Falar de futebol é falar da preparação do jogo, das tácticas, da condição física dos jogadores, da compreensão das características do adversário, estudar cenários para aplicar no jogo e nas diversas fases do jogo, consoante aquilo que vai acontecendo na hora e meia; é a acção e a reacção; é jogar mais alto ou mais baixo relativamente às zonas de pressão; é o posicionamento; é a dinâmica; é definir a estratégia e criar as condições para que os jogadores possam render em pleno.

FC Porto e Benfica sabem que têm hoje grande oportunidade de afirmar as qualidades que cada uma das equipas apresenta, no plano estritamente técnico-desportivo, e neste aspecto, apesar do mau desempenho nas Aves, o FC Porto parece estar mais forte: Sérgio Conceição, em termos gerais, conseguiu dar à sua equipa uma identidade indiscutível; o FC Porto é forte a atacar e a defender e não é uma equipa que se desequilibre facilmente. O Benfica e Rui Vitória ainda estão num processo de mutação táctica e à procura dos melhores jogadores para esse processo, o que tem conferido à equipa uma certa inconsistência. A surpresa será, pois, se o Benfica ganhar no Dragão.

Contudo, é aqui que entra a narrativa do futebol. E é neste particular que o clássico assume uma nova dimensão. Uma dimensão não apenas técnico-desportiva. Uma dimensão verdadeiramente política. O Benfica sabe (e o FC Porto também) que uma vitória no reduto dos azuis e brancos não apenas recolocaria a equipa e o clube num plano de retoma desportiva e psicológica, mas também em melhor posição relativamente a todos os processos que se têm desenvolvido fora do campo, a partir dos quais o FC Porto assumiu o papel de acusador, deixando o Benfica numa situação visivelmente desconfortável.

Isso pode não ser muito importante para os treinadores e para os jogadores, alguns dos quais estão de passagem e a cumprir contrato, mas é muito importante para os adeptos e para os presidentes e dirigentes.

Na óptica do interesse encarnado, o Benfica precisa deste clássico para afirmar uma vez por todas: "Nós somos mais fortes, nós somos tetra e vamos ser penta". A equipa de futebol do Benfica conseguirá estar à altura daquilo que o clube (enquanto instituição) precisa, num momento sensível do ‘caso dos emails’? O FC Porto sabe também, pelo seu lado, que um desaire – frente ao Benfica – seria muito difícil de digerir. Seria o regresso do ‘fantasma’. Seria o regresso do espectro da crise, entretanto, aliviada. E seria um pesadelo para Sérgio Conceição, que teria o papel ainda não experimentado esta época de recuperar a equipa psicologicamente, sobretudo depois da perda de pontos na vila das Aves – um peso mental considerável.

O clássico não vai resolver o campeonato, mas a partir do jogo desta noite nada será como anteriormente. E há que prever muitos medos e pouco risco – face à importância do resultado – e, neste contexto, não se deve desprezar o cenário do empate.

Joga-se muita coisa esta noite no Dragão.

*Texto escrito com a antiga ortografia

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