Pressão alta

Rui Santos
Rui Santos

'Guerra' Benfica-FC Porto: um hino à estupidez

Agora que o Sporting, sem Bruno de Carvalho, entra noutro rumo, e se refazem estratégias, nalguns casos, entre candidatos, ainda muito indefinidas relativamente às políticas de alianças - se é que elas se justificam… -, Benfica e FC Porto parecem empenhados em não dar tréguas na ‘guerra’ que protagonizam no sentido de não perderem a hegemonia do futebol português, agravada neste começo de 2018/19, por aquilo que se pode observar, com as trocas de ‘mimos’ sobre questões de arbitragem e disciplina, nomeadamente no que diz respeito ao ‘caso Brahimi’.

Com Luís Filipe Vieira ‘de baixa’, o Benfica optou por dar palco, desta vez não ao ‘vice’ José Eduardo Moniz, mas ao ‘vice’ Varandas Fernandes – e esta opção, escondendo o porta-voz da comunicação, Luís Bernardo, pode ser, ou não, a ver vamos, o começo de um novo ciclo comunicacional.

Vieira está pressionado com a torrente de processos que se abatem sobre o Benfica, e pela primeira vez está numa posição de maior pressão e de potencial fragilidade. É que o ‘cheiro a sangue’ desperta os sentidos de aves de grande porte, e Vieira tem, interna e externamente, alguma concorrência mais ou menos encapotada: internamente, vice-presidentes com ambição e foco na presidência (embora, num caso de acusação formal sobre processos que estão sob investigação, anularia a credibilidade de todos os pretendentes ao trono); externamente, Gomes da Silva e André Ventura parecem estar juntos para fazer equipa. É evidente que, em caso de acusação nalgum dos processos sob investigação, Silva e Ventura vão saltar para a primeira linha e reivindicar os ‘ses’ e os ‘mas’ que foram colocando sobre o terreno nos últimos tempos.

O Benfica seguiu caminho de responsabilizar o FC Porto e o seu departamento de comunicação por tudo o que de negativo tem vindo para a praça pública, inclusive alguns passos dados pelas investigações. E se, numa ou outra situação, o(s) porta-voz(es) do FC Porto têm carregado as tintas na tela das denúncias e das acusações, a verdade é que a estrutura judicial e judiciária do país já foi colocada em causa, directa ou indirectamente, por responsáveis benfiquistas. E estes só ficarão livres de qualquer crítica, se os processos sob investigação acabarem (todos) arquivados.

Os responsáveis do Benfica têm reivindicado total inocência e protecção aos mais visados, como é o caso do funcionário Paulo Gonçalves, e querem passar a imagem de uma superioridade moral, acima dos comportamentos dos seus homólogos portistas, que está longe de se apresentar provada.

Os mais representativos clubes portugueses cometem, ano após o ano, o mesmo ‘pecado original’: raramente aceitam as deliberações dos órgãos decisórios, seja em matéria de arbitragem, seja em matéria de disciplina, seja em outro tipo de ‘ordenamentos jurídico-institucionais’. E isso tem a ver com o processo de organização do futebol português, minado até ao tutano por expedientes liderados pelos próprios clubes no sentido de assegurar os seus poderes na FPF, na Liga e, em concomitância, nos órgãos que produzem decisões capazes de gerar influência sobre as quatro linhas.

O próprio Benfica vem agora com a tese de que é preciso conhecer as simpatias clubísticas dos titulares de cargos na Liga e na FPF, como se internamente não albergasse casos de auto-elogiada competência em que a simpatia clubística era, de início, outra. O futebol português e a cúpula clubística nacional cometem este erro grave de considerarem que os órgãos decisórios só são competentes se tomarem decisões que não coloquem em causa os interesses dos clubes com os quais simpatizam. Esta obsessão de ver nos principias lugares ‘homens de mão’ dos respectivos clubes, sem nenhum respeito pela especialização técnica, é um permanente ataque à FPF e à Liga. Este permanente desrespeito por quem toma decisões é anormal, perigoso e subversivo. Pugnar pela consagração de um jogo de marionetas manipuladas pelos líderes dos clubes, e dos seus sequazes, é uma vergonha para aqueles que falam de democracia em futebol.

O ‘caso Brahimi’ é paradigmático. É um não caso. O jogador do FC Porto colocou a mão no pescoço de Nilton, no jogo com o Chaves, numa acção que configura comportamento antidesportivo, que deveria ter sido sancionado com cartão amarelo. Este foi o erro do árbitro Nuno Almeida. Tudo o resto é pressão gratuita. Com graves danos para a vitalidade do futebol português. Esta ‘guerra’ Benfica-FC Porto é um hino à estupidez. E o problema é que se trata de uma ‘guerra’ consentida, que ninguém parece em condições de contrariar ou travar.

* Texto escrito com a antiga ortografia

O CACTO

Psico/juridicamente

Véspera do dia de jogo da jornada 2 da Liga, com o V. Setúbal, depois da vitória inaugural (muito importante para os ‘leões’!): Bruno de Carvalho apresenta-se em Alvalade a dizer "o presidente sou eu", fazendo crer que o tribunal o tinha legitimado para retomar as suas funções presidenciais. Mero logro. A verdade é que BdC conseguiu o que pretendia: mobilizar a comunicação social em redor da sua figura. BdC não consegue estar muito tempo sem palco. Precisa de palco, a que preço for. Mesmo que isso corresponda, como é o caso, ao prejuízo da estabilidade do Sporting e da sua equipa de futebol. E isso é muito grave. Colocar os seus interesses de ambição pessoal desmedida acima dos interesses da instituição. Os jogadores fugiram de BdC, o treinador fugiu de BdC, os colegas dirigentes fugiram de BdC, o Mundo foge de BdC, mas BdC ignora tudo isso e diz-se vítima desse Mundo e agora do ‘mundo Sporting’. BdC volta a teatralizar e, nesta sua corrida para ficar efectivamente sozinho, continua a ‘fazer de louco’, arrastando tudo e todos, em mentiras e meias-verdades, sem nenhuma preocupação face às consequências. Desde que tenha palco. Desde que consiga alimentar o ego e a fama, mesmo que seja a de ‘louco’. Se por algum devaneio psicojurídico, BdC voltasse efectivamente à presidência do SCP, o que seria daqueles que fugiram e regressaram e o que seria daqueles que vivem em permanente sobressalto com a hipótese (psicojurídica) de BdC se manter agarrado a um mundo de tramas e confabulações?…

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